“Agiu como qualquer pai”: Johnson mantém a confiança em Cummings

Há cada vez mais vozes a pedir que o principal assessor do primeiro-ministro britânico se demita. Jornais divulgaram relatos de quem o viu numa outra viagem em violação da quarentena.

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Cummings este este domingo na sede do Governo, o número 10 de Downing Street,Cummings este este domingo na sede do Governo, o número 10 de Downing Street Reuters/HENRY NICHOLLS,Reuters/HENRY NICHOLLS
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LUSA/ANDREW PARSONS / DOWNING STREET / HANDOUT

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, reafirmou o seu apoio ao seu principal assessor, Dominic Cummings, acusado de ter violado as regras de confinamento impostas pelo Governo. Este domingo foi revelada mais uma viagem feita por Cummings, quando a ordem era para estar em casa.

Depois de se ter encontrado com o assessor, Johnson deu uma conferência de imprensa em Downing Street para dizer que Cummings agiu de forma responsável, legal e com integridade” e disse que algumas das acusações feitas ao aliado são “palpavelmente falsas”, embora não tenha dito a que se referia concretamente. “Ao viajar para encontrar os cuidados infantis adequados, num momento em que ele e a mulher estavam incapacitados por causa do coronavírus, e quando não tinha alternativa, julgo que ele seguiu os instintos de qualquer pai”, afirmou Johnson.

O caso de Cummings está a gerar muito desconforto no Reino Unido, onde milhões de pessoas foram sujeitas a um rigoroso regime de confinamento para travar a propagação do novo coronavírus.

Este domingo novas revelações vieram pôr em causa a linha de defesa de Cummings que tinha justificado a deslocação de 400 km que fez entre Londres e Durham em Março, quando a mulher apresentava sintomas de covid-19, como tendo um motivo de força maior – Cummings disse que ia deixar o filho com familiares.

Duas testemunhas são citadas pelos jornais The Observer e do Sunday Mirror a garantir que viram Cummings fora de Londres em outras duas ocasiões. No dia de Páscoa, o assessor foi visto em Barnard Castle, uma vila histórica que atrai muitos turistas a 50 km de Durham. Uma semana depois, outra testemunha viu Cummings em Durham, poucos dias depois de ter sido fotografado em Londres, o que permite concluir que a longa viagem foi repetida.

Este domingo, Cummings rejeitou responder às perguntas dos jornalistas que o esperavam à porta de casa e dirigiu-se ao número 10 de Downing Street.

Boris Johnson tem-se mantido ao lado do assessor, bem como pesos-pesados do Governo, como Michael Gove. O secretário dos Transportes, Grant Shapps, disse que as notícias de uma segunda viagem são “falsas” e rejeitou os pedidos de demissão do assessor. Na véspera, o gabinete do primeiro-ministro já tinha afastado a hipótese de Cummings, um dos artífices da campanha a favor do “Brexit”, ser demitido.

No entanto, a exigência de mão pesada para punir a conduta do conselheiro de Downing Street está a subir de tom. O deputado conservador Steve Baker disse à BBC que o “país não pode suportar este disparate” e pediu a saída de Cummings. Os líderes dos tories passaram a noite de sábado em telefonemas a tentar juntar apoio da bancada conservadora a Cummings, diz o Guardian.

O deputado Simon Hoare também pediu a Cummings que reconsiderasse a sua posição junto do Executivo, lembrando que “a quarentena apresentou desafios para todos”.

Também o deputado tory Roger Gale pediu a demissão do assessor. “Como pai e avô consigo simpatizar com os desejos de Cummings de proteger o seu filho. Não pode haver uma lei para a equipa do primeiro-ministro e outra para os restantes”, afirmou.

O Partido Trabalhista insiste na demissão e pede explicações ao primeiro-ministro, sublinhando que “não pode existir uma regra para Dominic Cummings e outra para o povo britânico”.

Cummings é especialmente detestado por todos os que defendiam a permanência do Reino Unido na União Europeia, e abusar da desinformação. É considerado o cérebro radical da política actual do “Brexit”. Terá sido o defensor também da estratégia inicial de não decretar o confinamento da população para conter o alastrar do novo coronavírus, ao arrepio do decidido de quase todo o restoda União Europeia.

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