Exames terão em conta perguntas em que alunos se saírem melhor, além das obrigatórias

Informação do Instituto de Avaliação Educativa dá conta de que existirá um conjunto obrigatório de respostas e que nas restantes serão seleccionadas para a classificação final as que tenham melhores pontuações. A cotação atribuída a cada uma será igual.

Conteúdos dos exames não foram alterados, mas forma de classificação será diferente
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Conteúdos dos exames não foram alterados, mas forma de classificação será diferente Daniel Rocha

Nos próximos exames nacionais, que arrancam em Julho, só vão contar para a classificação final, além das perguntas de resposta obrigatória, os itens em que os alunos tenham “melhor pontuação”. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto de Avaliação Educativa (Iave), o organismo responsável pela elaboração e classificação dos exames nacionais, que foi incumbido pelo Governo de “promover a adequação dos exames finais nacionais aos constrangimentos decorrentes da pandemia da doença covid-19”.

O conjunto de itens “cuja resposta é obrigatoriamente contabilizada para a classificação final”, bem como o número dos que serão contados em função da pontuação obtida pelos alunos, será estabelecido “de acordo com a especificidade de cada prova”, uma informação que será divulgada na próxima semana. Por agora, o Iave apresenta o exemplo seguinte: “numa prova composta por 20 itens, cinco serão obrigatoriamente contabilizados para a classificação final; dos 15 itens restantes, todos terão a mesma cotação e poderão ser respondidos pelos alunos, mas apenas serão considerados para a classificação final da prova os 10 itens cujas respostas obtenham melhor pontuação”.

O tempo fixado para a realização dos exames é o que se considera adequado para que os alunos possam responder a todas as perguntas, especificou o Iave em resposta ao PÚBLICO. As perguntas de resposta obrigatória serão assinaladas nos enunciados de cada prova e incidem nas “competências e conhecimentos desenvolvidos ao longo do percurso escolar” dos alunos ou na “informação facultada pelos suportes associados ao item”, com por exemplo gráficos, mapas ou textos.

Na informação agora divulgada, o Iave salienta que “as soluções técnicas” apresentadas visam garantir “aos candidatos as melhores condições de desempenho e de equidade na realização e na classificação” das provas, uma vez que já não era possível introduzir “alterações de fundo à sua concepção inicial”. Isto deve-se ao facto de o processo de elaboração dos exames já se encontrar “em fase de conclusão” quando a pandemia obrigou à adopção de medidas excepcionais, que passaram pelo encerramento das escolas e o fim das aulas presenciais durante dois meses.

Introduzir “alterações de fundo” nesta altura podia “comprometer a validade” das provas e “não assegurar a desejável equidade na sua aplicação”, tendo em conta que no âmbito da flexibilidade curricular as escolas têm autonomia para gerir a sequência da apresentação das matérias que constam dos programas. E por essa razão, acrescenta o Iave, não se “poderia garantir que eventuais alterações [aos conteúdos das provas] estivessem alinhadas com as opções tomadas por todas as escolas no âmbito da gestão curricular”.

Por outro lado, está também autorizada a consulta de dicionários nos exames de língua estrangeira. Esta consulta ia passar a estar interdita a partir deste ano lectivo, mas esta medida foi agora adiada para “minimizar”, no actual contexto, “situações de desigualdade”.

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