Opinião

O sacrifício de Centeno

Mário Centeno, economista bem preparado mas político de primeira viagem, sucumbiu ao seu próprio discurso. O funambulismo não está ao alcance de qualquer um.

Na semana em que o país iniciou tranquilamente o processo de desconfinamento, o mundo político ensombreceu-se numa floresta de equívocos e de contradições. É sinal de que estamos a regressar à normalidade. Nunca me comoveram as declarações proféticas daqueles seres dados a arrebatamentos místicos que antecipam em cada crise a miragem da chegada à terra prometida. O vírus despertou-lhes o narcisismo mas não lhes libertou a imaginação. Advogam mudanças radicais estranhamente coincidentes com as representações utópicas com que se inebriam desde que se conhecem. Não há pandemia que os transforme. Tudo deve ser objecto de profundas metamorfoses, à excepcão dos próprios e dos seus delirantes devaneios.