Fazer cinema na era covid-19: distanciamento entre actores, máscaras e medição de temperatura

Portugal Film Commission publicou guia com “orientações para filmar em Portugal”. É recomendado que se evite filmar “cenas que impliquem um grande aglomerado de pessoas” e “que acarretem contacto físico directo e pessoal entre actores”.

Porto
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Nas filmagens que exijam contacto entre actores, os mesmos devem demonstrar que cumpriram um período de 14 dias de isolamento ou que fizeram teste à covid-19 FERNANDO VELUDO / NFACTOS

Planos de contingência, uso de máscaras, realização de isolamento profiláctico e medição de temperatura são algumas das medidas recomendadas para a produção de cinema e audiovisual em Portugal, em tempo de covid-19, reveladas esta quarta-feira.

A Portugal Film Commission publicou um guia com “orientações para filmar em Portugal”, tendo por base recomendações da Direcção-Geral da Saúde, em matéria de regras de segurança, de distanciamento obrigatório e de higiene por causa do novo coronavírus.

De acordo com o documento, as empresas produtoras de cinema e audiovisual têm de criar, implementar e divulgar planos de contingência antes de cada projecto e “para imediata actuação caso exista suspeita ou se dectete algum caso positivo de covid-19”.

Às produtoras é recomendado que evitem filmar “cenas que impliquem um grande aglomerado de pessoas no mesmo local” e “que acarretem contacto físico directo e pessoal entre actores”. Se tal não for possível, pela dimensão do projecto ou porque impliquem “contacto físico directo e pessoal” entre actores, "é altamente recomendado que os actores intervenientes provem o seu estado de saúde”.

Segundo o guia, antes do início das rodagens, os actores devem demonstrar que cumpriram um período de 14 dias de isolamento ou que fizeram teste à covid-19.

No local das filmagens devem existir “termómetros contactless, através dos quais possa ser efectuada medição de temperatura, sem registo de quaisquer dados obtidos”. É recomendada ainda a “separação das equipas técnicas” para que não estejam muitas pessoas no mesmo espaço, e colocação de máscara para todos, com excepção do momento em que os actores estão a filmar.

Os planos de contingência devem ser adaptados às características de cada projecto e devem ser partilhados “com as empresas fornecedoras de serviços que acedam ao local de filmagem”.

Há ainda protocolos específicos e detalhados, por exemplo, para as áreas de guarda-roupa e caracterização, indo ao pormenor de recomendações para o uso de batons e rímel: “Não podem ser reutilizados em pessoas diferentes, devendo ser privilegiados, sempre que possível, aplicadores descartáveis”, lê-se.

“O departamento de guarda-roupa deve proceder à limpeza e higienização do seu equipamento, bem como do vestuário utilizado pelo elenco, de forma regular. (...) A roupa pessoal dos actores deve ser manuseada e colocada em sacos pelos próprios”, lê-se no documento.

Este guia é publicado no dia em que a Plural Entertainment e a estação de televisão TVI anunciaram que vão retomar, na segunda-feira, as gravações das novelas que foram interrompidas em Março por causa do surto de covid-19. “Na semana que antecede o início das gravações serão efectuados testes de despistagem a todos os colaboradores da Plural”, será medida a temperatura aos trabalhadores duas vezes por dia e no local estará “um profissional de saúde diariamente”, referem em comunicado.

Na semana passada, num pedido de esclarecimento ao Instituto do Cinema e Audiovisual sobre o retomar de actividade no sector do cinema e audiovisual, depois de dois meses paralisado, fonte do organismo disse à Lusa que as rodagens canceladas entre Março e Abril deveriam ser retomadas nos meses de verão, mas sujeitas a confirmação.

Segundo a mesma fonte, entre as produtoras subsistem ainda dúvidas sobre, por exemplo, como dar continuidade a produções que exijam viagens para locais fora de Portugal.

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