Transportadora colombiana Avianca entra com pedido de reestruturação

A gigante aérea da América Latina falhou um empréstimo obrigacionista de 65 milhões de dólares que vencia este domingo.

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A Avianca tem 20 mil trabalhadores em casa sem ordenado Reuters/Gustavo Graf Maldonado

A companhia de aviação colombiana Avianca está à beira da bancarrota devido à pandemia da covid-19. A casa-mãe, a Avianca Holdings, avançou com um pedido de reestruturação nos Estados Unidos (o Chapter 11), procurando proteger-se do colapso iminente depois de falhar o prazo de reembolso de uma emissão obrigacionista de 65 milhões de dólares (cerca de 60 milhões de euros), noticiou a Reuters.

Segundo o pedido de insolvência apresentado num tribunal do Estado de Nova Iorque, a companhia “estima responsabilidades por saldar de entre mil a dez mil milhões de dólares”.

A Avianca não opera voos regulares desde Março e tem mantido os seus 20 mil funcionários em licença sem remuneração desde o início da crise. Fonte da empresa garantiu à Reuters que a transportadora ainda está a tentar obter ajuda de emergência do executivo colombiano e que também está decidida a diminuir gradualmente as operações no Peru.

Fundada há 100 anos, em Barranquilla, a transportadora está cotada na bolsa de Nova Iorque desde Novembro de 2013. Em comunicado, o presidente executivo da empresa, Anko van der Werff, sublinhou que “a Avianca está a enfrentar a crise mais difícil” da sua história.

As dificuldades financeiras do grupo não são de agora, embora tenham sido agudizadas pela crise pandémica. O presidente da administração do grupo, Roberto Kriete, chegou a afirmar no ano passado, numa reunião com executivos (num vídeo divulgado no Youtube), que a empresa estava “falida”.

Antecipando que a Avianca não iria conseguir reembolsar o empréstimo no fim-de-semana, a S&P já tinha reduzido na semana passada a notação de dívida da companhia para o nível CCC- (mantendo-a na categoria de “lixo”, ou investimento especulativo, mas reduzindo mais um nível).

United Airlines pode perder 700 milhões

A Reuters recorda que a Avianca já havia estado prestes a falir no início da década de 2000, acabando por ser resgatada pelo milionário de origem boliviana German Efromovich, que chegou a disputar com David Neeleman a compra da TAP em 2015, e que já em 2012 tinha visto uma proposta pela empresa portuguesa recusada porque não conseguiu apresentar garantias bancárias.

Foi sob o comando do milionário que a Avianca Holdings se expandiu, mas também se endividou muito para conseguir fazê-lo. No ano passado, a ultra-endividada Avianca Brasil dirigida por Efromovich (que não fazia parte da Avianca Holdings e pagava direitos para usar a marca) entrou igualmente com um pedido de reestruturação que ainda corre na justiça brasileira. A Avianca Argentina, também detida pelo empresário, teve de cessar operações.

Segundo o seu site, a Avianca inaugurou em 2014 a rota Londres-Bogotá e, em 2018, passou a operar também a partir de Munique. Entre os números destacados na página institucional contam-se 700 voos diários, uma frota de 155 aviões e ligações a 75 destinos em 26 países.

No ano passado, Efromovich foi afastado da gestão do grupo naquilo a que a Reuters chama uma jogada palaciana “orquestrada pela United Airlines”, mas continua a ser accionista. O jornal brasileiro Estadão explica que a United Airlines concedeu a Efromovich, em 2018, um empréstimo de 450 milhões de dólares, que tinha como garantia as acções do empresário.

Quando, em 2019, a empresa deu prejuízos de 68 milhões de dólares no primeiro trimestre, e as acções desvalorizaram, a United conquistou os direitos de voto de Efromovich, ainda que formalmente este continue a ser o detentor dos títulos.

Agora, se a Avianca falir, a United Airlines pode perder até 700 milhões de dólares em empréstimos que não recuperará.