“Não podemos estar tão dependentes de fornecimentos externos” na saúde, diz António Costa

Primeiro-ministro questionou porque produtos tão banais, como máscaras, venham de países que estão a milhares de quilómetros. E voltou a rejeitar a receita da austeridade para fazer face à crise

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O primeiro-ministro durante a visita ao CEIA LUSA/ESTELA SILVA
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Paulo Pimenta
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O primeiro-ministro, António Costa, destacou nesta sexta-feira a importância de as empresas e de a investigação portuguesas estarem empenhadas na produção de equipamentos na área da saúde, nomeadamente para o combate à covid-19. E aproveitou um passeio por uma zona de comércio local no Porto para insistir que a austeridade terá sempre como resultado “aprofundar a crise”.

Antes de visitar as lojas Rua de Santa Catarina, no Porto, Costa esteve em Matosinhos no Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEIIA), que está produzir ventiladores. “Não podemos estar tão dependentes de fornecimentos externos como temos estado até agora. Coisas tão banais como máscaras não podem vir de países que estão a milhares de quilómetros de distância. Não podemos depender de um mercado que está completamente desregulado e selvagem, a lutar quase ombro a ombro fisicamente para comprar um ventilador aqui, ou outro ventilador ali. Tem sido muito difícil”, afirmou após a visita.

“Desta crise, nós temos de sair com uma lição muito bem aprendida: temos de reforçar as capacidades nacionais de produção. Temos engenharia para isso, temos indústria para isso, temos competência profissional para isso e, portanto, podemos ser autónomos, seja na produção de máscaras, seja em equipamento de protecção individual, seja também em maquinaria como os ventiladores”, acrescentou António Costa.

“Se tudo correr mal e precisarmos mesmo de chegar à fase dos cuidados intensivos, temos de ter a garantia que temos os equipamentos necessários. E é por isso muito importante que essa segurança exista para os profissionais de saúde, mas que exista para o conjunto de cidadãos: o saber que, se tudo correr mal, não faltarão ventiladores para todos aqueles que necessitam de ser ventilados”, afirmou.

António Costa salientou ainda o facto de o CEIIA ter conseguido, num prazo de 45 dias, fabricar e produzir 100 ventiladores Atena: “Em todos os momentos de excepção, os portugueses são completamente excepcionais. O passo seguinte é continuar a ser excepcionais na normalidade.”

O CEIIA não é uma fábrica, aqui estão a ser fabricados não só os primeiros protótipos, mas já os produtos, mas o objectivo não é o CEIIA continuar a produzir ventiladores, é a partir daqui libertar esta tecnologia, este know-how para a indústria nacional poder passar a produzir em larga escala, para as necessidades nacionais, mas também para as necessidades globais”, acrescentou.