DGS admite jantares de família, mas com cuidados

A DGS não exige que os familiares que não vivem juntos mantenham o distanciamento aplicado até aqui, mas deixa um alerta contra reuniões de família mal organizadas.

Momentos destes são permitidos, mas com maior distanciamento social.
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Convívio entre familiares que não vivem juntos já é permitido, mas com distanciamento social. ADRIANO MIRANDA/Arquivo

Podemos fazer jantares de família, mas com cuidados – o país não quer uma nova onda de covid-19. É esta a recomendação global da Direcção-Geral da Saúde (DGS), questionada sobre a possibilidade de, no âmbito do progressivo desconfinamento, as famílias organizarem jantares.

“Podemos fazer um jantar de família, mas com as devidas cautelas e distanciamento social. Não podemos fazê-lo nos moldes em que o fazíamos anteriormente”, explicou nesta terça-feira o subdirector-geral da Saúde, Diogo Cruz, na conferência de imprensa diária de actualização do estado da pandemia.

E foi mais longe na explicação, falando, tacitamente, do limite de dez pessoas e do distanciamento entre elas: “Devemos tentar manter as regras que tivemos até agora, ainda que com mais liberdade e permissões. Mas como presumo que nenhum de nós queira uma segunda onda [de covid-19], devemos manter as recomendações”.

Ao PÚBLICO, Rita Sá Machado, chefe de Divisão de Epidemiologia e Estatística da Direcção-Geral da Saúde​, antes desta conferência de imprensa, tinha apelado a que os portugueses evitassem reuniões deste tipo.

“Embora seja permitido que estejam no mesmo espaço até dez pessoas, a minha opinião enquanto médica é que ainda não devemos promover este tipo de actividades, apenas porque estamos numa fase muito precoce em que precisamos de manter a nossa cautela e alguma abertura para, se necessário, voltarmos atrás nas medidas que foram implementadas”, explicou Rita Sá Machado.

“Devemos evitar ao máximo os jantares de amigos e de família. Do ponto de vista da saúde mental é bom estarmos com as pessoas de quem gostamos e com quem temos afinidade, mas será melhor continuar a promover aquilo que é o contacto através das telecomunicações, pelo menos nesta primeira fase”, conclui Rita Sá Machado.

Apesar de mais permissivo do que Rita Sá Machado nas recomendações, Diogo Cruz foi claro no alerta deixado ao país, nesta terça-feira: “É verdade que saímos do estado de emergência, mas também é verdade que ainda temos transmissão da doença em Portugal. Os cuidados não podem passar do oito ao oitenta”.

“Continuamos a aconselhar medidas de distanciamento físico e lavagem das mãos. Sendo certo que algumas medidas deixaram de ser obrigatórias, elas continuam a ser dever cívico”, acrescentou.

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