Covid-19. Há mais 11 mortes e 178 casos positivos. DGS confirma morte de homem abaixo dos 30 anos

Pela primeira vez, desde Março, registou-se um morto com menos de 40 anos: um cidadão do Bangladesh a residir em Lisboa que teria 29 anos.

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Adriano Miranda

Portugal regista, até esta terça-feira, 1074 mortos por covid-19 — são mais 11 do que na segunda-feira, o equivalente a uma taxa de crescimento de 1%. ​Pela primeira vez, há uma vítima mortal com menos de menos de 40 anos: trata-se de um homem com idade entre 20 e 29 anos. É, no entanto, a excepção, já que 87% dos mortos tinham mais de 70 anos. 

“Existe a lamentar, de facto, uma morte entre os 20 e os 29 anos. Transmitimos os nossos sentimentos aos amigos e família”, confirmou Diogo Cruz, subdirector-geral da Saúde, em conferência de imprensa, sem acrescentar mais pormenores. Trata-se de um cidadão do Bangladesh de 29 anosdisse ao PÚBLICO Rana Uddin, presidente do Centro Islâmico do Bangladesh e da Associação Amizade Bangladesh-PortugalVivia em Portugal desde 2011 e era pequeno empresário, proprietário de um restaurante, de alguns hostels e de uma loja de artesanato em Lisboa.

A maioria das vítimas continua a ter entre 40 e mais de 80 anos, sendo que é a partir dos 70 que a taxa de letalidade se torna mais preocupante. De acordo com secretário de Estado da Saúde António Lacerda Sales, a taxa de letalidade global é de 4%, já a taxa de letalidade acima dos 70 anos é de 14,9%.

Quanto ao número de casos positivos, registam-se 25.702 casos confirmados, mais 178 nas últimas 24 horas, o que corresponde a um aumento de 0,7%, segundo os dados do boletim epidemiológico divulgado esta terça-feira pela Direcção-Geral da Saúde.

Já 1743 pessoas recuperaram da doença. Para que uma pessoa seja dada como “curada” tem de ter pelo menos um teste negativo e estar assintomática (caso esteja a ser tratada em casa) ou dois testes negativos em 24 horas (caso esteja internada). Nesta terça-feira estavam 818 pessoas internadas, 134 delas em unidades de cuidados intensivos. Cerca de 85,9% dos estão a ser tratados em casa.

Observando os dados por região percebe-se que é no Norte que se concentra o maior número de casos: desde o início da pandemia em Portugal, a região somou 15.199 casos positivos e 613 mortos. A segunda região mais afectada continua a ser Lisboa e Vale do Tejo, com 6241 casos positivos e 223 mortos.

As regiões menos afectadas continuam a ser o Alentejo e a Madeira. No Alentejo há 220 casos confirmados e um morto; na Madeira há 86 casos confirmados sem mortos.

Os concelhos mais afectados continuam a ser os de Lisboa (1579 casos positivos), Vila Nova de Gaia (1425) e Porto (1266).

DGS aceita jantares de família, mas alerta para possível nova onda de surto

Muito se tem especulado sobre se, em situação de calamidade, se podem retomar algumas das actividades sociais anteriores à pandemia, como jantares ou convívios. Ao que a DGS responde: jantares de família, sim, mas com cuidados. O país não quer uma nova onda de covid-19.

“É verdade que saímos do estado de emergência, mas também é verdade que ainda temos transmissão da doença em Portugal. Os cuidados não podem passar de oito a oitenta. Continuamos a aconselhar medidas de distanciamento físico e lavagem das mãos. Sendo certo que algumas medidas deixaram de ser obrigatórias, elas continuam a ser dever cívico”, alertou Diogo Cruz, quando questionado directamente sobre o assunto.

“Devemos tentar manter as regras que tivemos até agora, ainda que com mais liberdade e permissões. Mas como presumo que nenhum de nós queira uma segunda onda [de covid-19], devemos manter as recomendações. Podemos fazer um jantar de família, mas com as devidas cautelas e distanciamento social. Não podemos fazer é nos moldes em que fazíamos anteriormente.”

Ainda sobre o regresso à normalidade possível, soube-se, nesta terça-feira, que se vão retomar os exames de acesso para os jovens médicos, suspensos devido à pandemia. “São boas notícias para os jovens médicos, mas também para o SNS”, afirmou António Lacerda Sales. “Retomar os concursos na carreira da saúde é fundamental. Assim, a realização das provas deve ser já a partir de 8 de Junho de 2020.”

Vacinação caiu

Diogo Cruz lamentou a “queda na taxa de vacinação”, fruto do confinamento imposto à população. “Notamos esse efeito, apesar das solicitações para que isso não acontecesse. É natural que as pessoas cumpram o confinamento, mas algumas situações deveriam ser excepção. Tentámos, por várias vezes, transmitir que os centros de saúde são locais seguros e as pessoas devem deslocar-se para fazerem a vacinação”, explicou, acrescentando: “Esperamos que esta taxa seja recuperada nos próximos tempos (…) mas marquem as vacinas, não façam filas nos centros de saúde”.

Redução do número de testes? DGS diz que não

Sobre o número de testes à covid-19, o secretário de Estado recusou uma redução nos últimos quatro dias, até por não ter dados deste período. “Tem-se verificado, durante os fins-de-semana, a diminuição de testes, não por falta de oferta, mas porque, provavelmente, há diminuição da procura”, começou por explicar.

E detalhou: “Os números dos últimos quatro dias são difíceis de dizer, porque um exercício retrospectivo é complicado. Mas posso actualizar ao dia de hoje — e o número de testes acumulados é maior. São mais de 44 mil por milhão de habitantes, o que nos coloca numa posição confortável até a nível europeu”.

Em todo o mundo, registaram-se, desde o início da pandemia, mais de 3,6 milhões de casos positivos, de acordo com os dados da Universidade Johns Hopkins, EUA. Desde Dezembro, somam-se mais de 250 mil mortes devido ao vírus e mais de um milhão de pessoas já conseguiram recuperar da doença globalmente.