Detidos 14 políticos da oposição pró-democracia em Hong Kong

Acção repressiva surge num momento em que autoridades pró-China falam de novo na redacção de uma lei de segurança para combater as forças pró-independência.

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Martin Lee, fundador do Partido Democrático, ao sair da esquadra para onde foi levado JEROME FAVRE/EPA

A polícia de Hong Kong deteve pelo menos 14 activistas pró-democracia pela acusação de reunião ilegal. É a maior acção repressiva nesta região administrativa especial da China desde o início dos protestos em massa no ano passado.

Foram detidos nove ex-deputados da assembleia local, entre os quais um conhecido advogado que é também um dos fundadores do Partido Democrático, Martin Lee, de 81 anos, e a ex-deputada e também advogada Margaret Ng, diz a Reuters, citando fonte políticas e a imprensa local. O presidente da Liga dos Social-Democratas, Raphael Wong, o seu vice-presidente, Leung Kwok-hung e o secretário-geral Avery Ng, estão também entre os detidos, diz a Lusa. Lee Cheuk-yan, do Partido Democrático, foi igualmente detido, Figo Chan Ho-wun, vice-coordenador da Frente Civil de Direitos Humanos, diz o diário Hong Kong Free Press.

Foi ainda detido o milionário Jimmy Lai Chee-ying, fundador do jornal Apple Daily, conhecido pelo seu apoio ao movimento pró-democracia e pela sua oposição ao governo pró-Pequim de Hong Kong.

O superintendente da polícia do território afirmou que estas pessoas foram detidas sob a acusação de organizarem e participarem “em assembleias ilegais” a 18 de Agosto, 1 e 20 de Outubro de 2019. Mas não as identificou, apenas disse que tinham idades “entre 24 e 81 anos”. Nos dias mencionados houve protestos em Hong Kong que por vezes se tornaram violentos.

Os detidos devem comparecer a tribunal a 18 de Maio, e é possível que haja mais detenções até lá. Não se sabe se alguma das pessoas que foi detida neste sábado terá de ficar na prisão até ser presente ao juiz.

Estas detenções acontecem após alguns meses de calma relativa por causa da pandemia da covid-19, mas num momento em que as autoridades de Hong Kong estão a lançar uma nova ofensiva para impor leis de segurança mais restritivas no território, para combater as forças pró-independência, que poriam em causa a autonomia desta região administrativa especial da China.

A última tentativa de elaborar uma lei de segurança para Hong Kong, denominada Artigo 23, em 2003, desencadeou protestos em massa e acabou por ser abandonada. Mas o governo e a polícia de Hong Kong têm descrito as acções do movimento pró-democracia como algo semelhante a terrorismo – essa é também a forma como os protestos são descritos nos media chineses.

Mais de 7800 pessoas foram detidas por causa dos protestos que deixaram o território em polvorosa – muitos por acusações que podem representar mais de dez anos de prisão.