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O imobiliário português no pós-covid-19

As boas notícias são, muito provavelmente, a manutenção de juros baixos por mais tempo, o que permite antever, no médio a longo prazo, uma recuperação relativamente rápida da economia.

A atual pandemia veio criar uma grande incerteza em todos nós. No entanto, começam já a desenhar-se cenários para um gradual regresso à normalidade. Que normalidade será essa e que impactos terá no imobiliário português, nos seus diversos setores, no curto e médio prazo?

Importa, antes de mais, traçar um quadro base das premissas que assumimos como as mais prováveis.

No curto prazo, até ao próximo inverno, prevê-se a reclusão parcial de alguns grupos de risco, proibição de ajuntamentos acima de determinado número de pessoas e a eventualidade de nem todos os colaboradores de uma determinada empresa regressarem ao trabalho ao mesmo tempo. No médio prazo, sim, é expectável o regresso à normalidade, até porque acreditamos que haverá vacina disponível antes do próximo inverno. Isto tudo, do ponto de vista sanitário.

Do ponto de vista económico, já é sabido que haverá uma recessão significativa. Quão profunda depende de se verificarem, ou não, as premissas anteriores. No entanto, e relativamente a Portugal, o impacto será bastante diferente da crise anterior, já que não só esta pandemia afeta o mundo de um modo global como, pelo menos até agora, Portugal tem-se portado bem na gestão da mesma, quando comparado com muitos outros países, nomeadamente os latinos. De qualquer modo, os impactos no mercado imobiliário serão significativos.

Assim, antecipamos que, no curto prazo, os setores mais fustigados serão aqueles que tiveram uma recuperação mais forte há cerca de cinco anos, ou seja, todos os que, direta ou indiretamente, se movem no setor do turismo: hotéis e outras modalidades de alojamento, comércio local, designadamente em zonas turísticas, e centros comerciais.

Se pensarmos no longo prazo, é bem mais interessante pensar se, estruturalmente, a atitude da população terá impacto nas decisões futuras, quer de particulares quer de empresas. Será que as famílias vão evitar deslocar-se para hotéis de maior dimensão por permitirem um menor distanciamento social?

Será que preferirão, inclusivamente, os alojamentos locais por estarem mais dispersos ou, pelo contrário, terão dúvidas quanto à capacidade de higienização dos mesmos?

No setor da habitação, antecipamos uma transformação de alojamentos locais em arrendamento de longo prazo, implicando isto, à partida, uma descida de preços no imediato devido ao aumento da oferta.

Nos escritórios, teremos, provavelmente, empresas a racionalizarem melhor o seu espaço, leia-se número de metros quadrados utilizados, por chegarem à conclusão de que, como o teletrabalho funciona, não necessitam de tantos postos de trabalho físicos.

O setor mais beneficiado será o da logística, dado o aumento de peso do e-commerce na sociedade.

As boas notícias são, muito provavelmente, a manutenção de juros baixos por mais tempo, o que permite antever, no médio a longo prazo, uma recuperação relativamente rápida da economia.

Finalmente, uma mensagem de otimismo, ainda que, a esta data, com algumas cautelas. Portugal será beneficiado pelo aumento do teletrabalho, o que poderá estimular a fixação de mais estrangeiros, agora que temos o melhor dos dois mundos: somos vistos como “a Suécia da Europa”, mas com o clima dos Países latinos.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico

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