Para lá da covid-19: dez textos do arquivo do PÚBLICO que vai gostar de ler

Nestes tempos de excepção, quando, de repente, somos convidados a ficar em casa por causa da pandemia, vão surgindo teses que afirmam tudo e o seu contrário. Tem sido assim com a abundância de tempo livre e/ou a falta dele durante o recolhimento caseiro e o isolamento social que a sensatez manda pôr em prática. Ora, se é alguém com algum tempo livre neste momento e se se interessa por temas não relacionados com o surto de covid-19, experimente ler estes trabalhos que saíram no caderno P2 ao longo dos últimos meses. Acreditamos que não dará o tempo como perdido.

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Marvine Howe, a repórter que o regime de Salazar tolerou. Bárbara Reis
“Equilibrada” ou “perniciosa”? Independente ou agente triplo? Meio século depois de ter saído de Portugal, ainda se discute o impacto do trabalho da correspondente do New York Times em Portugal nos últimos anos do Estado Novo.​

Auschwitz: A incrível e trágica história dos irmãos Fresco. Patrícia Carvalho (texto) e Nelson Garrido (fotografia)
A 27 de Janeiro de 1945 o Exército Vermelho entrou no campo de concentração alemão de Auschwitz-Birkenau, instalado na Polónia. A data tornou-se símbolo da libertação do horror nazi e é hoje celebrada como o Dia Internacional de Lembrança do Holocausto. Quando passam 75 anos desde a libertação do campo recordamos a história de Michael Fresco, o único português de que há registo de ter estado em Auschwitz. E contamos a história de dois dos seus cinco irmãos que, apesar de viverem em França, como ele, escaparam à deportação.

Ir ao hospital e fazer acupunctura, hipnose ou reiki. Susana Pinheiro
Há terapias consideradas alternativas que são usadas no Serviço Nacional de Saúde. A Ordem dos Médicos continua a não validar muitas delas, alertando os doentes para a falta de bases científicas; já a Ordem dos Enfermeiros vê-as com bons olhos. Afinal, muitos dos seus profissionais é que as levam a cabo.

Anatomia do “golpe de espionagem do século”. Greg Miller (The Washington Post)
Um relatório dos serviços secretos americanos traça a história desconhecida daquela que será uma das mais audaciosas operações da CIA. Quando em 1970 comprou discretamente a empresa suíça Crypto, em parceria com os serviços secretos da então Alemanha Ocidental, a espionagem americana garantiu acesso a informação sensível de mais de meio planeta.

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Daniel de Matos Rui Gaudêncio

Daniel de Matos: o homem de todos os presidentes. Maria João Avillez
Vale a pena conhecê-lo. Cidadão exemplar, reputado clínico, servidor público, homem de boas maneiras. Isto que já muito o recomendaria, não é, porém, tudo: Daniel de Matos, 71 anos, foi médico pessoal de três presidentes — Soares, Sampaio e Cavaco — e a seguir, manteve-se em Belém com o actual, a pedido do próprio Marcelo. Um caso. Daniel de Matos não resiste à auto-ironia: “Vou no meu sétimo mandato. É mais que inédito, não há memória, já averiguei...” Uma boa história que ele conta com a simplicidade daqueles que mais do que se levarem a sério, levaram a vida a sério.

As encruzilhadas da moda sustentável. Vera Moutinho e Mara Gonçalves
Na esteira da luta contra as alterações climáticas, também a moda começa a posicionar-se no caminho da sustentabilidade. Mas pode o apelo ao consumo desenfreado continuar - estimulado pela Black Friday, pelos saldos e promoções - quando o discurso é o de diminuir os impactos ambientais e sociais da indústria?

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Marco Neves Ferreira

De G3 em riste, o povo entrou na História. Paulo Moura (texto) e Marco Neves Ferreira (ilustração)
Durante quase meio século, a G3 foi a arma dos soldados portugueses. Fez a Guerra Colonial e o 25 de Abril, marcou o último ciclo do império português. Tornou-se ícone, lenda e objecto de um culto difícil de explicar. Por ser uma arma distribuída por todos, foi como se, de G3 em riste, o povo tivesse entrado na História, como protagonista. Não isento de culpa, na guerra, nem de heroísmo, na libertação. Agora, a G3 sai de cena.

Na selva com o biólogo que provou porque devemos salvar a Amazónia. ​Fabian Federl (texto) e Kristin Bethge (fotografia)
Na bacia amazónica, Thomas E. Lovejoy lidera aquela que é talvez a maior experiência tropical do mundo. Uma das suas descobertas: os factos não são suficientes para convencer os poderosos. E enquanto isso, a Amazónia arde.

O novo e o velho anti-semitismo na Alemanha. Maria João Guimarães
É possível andar seguro com uma kippa em Berlim? É possível um judeu na Alemanha não ter medo? Como é que há ataques a judeus no país do Holocausto? Uma especialista em anti-semitismo, um rabino, um israelita e um judeu alemão falam com o P2 sobre o novo anti-semitismo alemão – ou será o velho?

Quem limpa o ar das nossas cidades? Victor Ferreira
Elegeram o diesel como inimigo, quando o diesel é o veneno. O combate contra a morte prematura de europeus segue em passo de caracol, numa cacofonia em que autarcas processam governos, cidadãos processam autarcas e políticos, cientistas e empresários esgrimem acusações entre eles. Enquanto isso, a indústria continua a guardar os lucros.

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