Covid-19: Anthony Fauci, o cientista que corrige Trump, passa a ter segurança pessoal

Imunologista é acusado em sites da direita radical norte-americana de querer destruir a economia por defender a continuação das medidas de isolamento e distanciamento social. Recebeu ameaças de morte.

Fauci estima que o novo coronavírus pode matar entre 100 mil e 200 mil pessoas nos Estados Unidos
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Fauci estima que o novo coronavírus pode matar entre 100 mil e 200 mil pessoas nos Estados Unidos Reuters/TOM BRENNER

Anthony Fauci, o cientista norte-americano que é um dos rostos mais visíveis no combate ao novo coronavírus nos Estados Unidos, passou a contar com segurança pessoal após receber ameaças de morte.

Fauci, de 79 anos, tem conquistado a admiração do eleitorado anti-Trump pela forma como vai corrigindo algumas declarações do Presidente norte-americano sobre a pandemia e também o ódio da direita radical pela sua defesa das medidas de isolamento e distanciamento social no país.

A notícia do reforço da segurança pessoal do cientista foi avançada pelo jornal Washington Post na quarta-feira e confirmada por outros jornais e canais de televisão, como a CNN.

Na quarta-feira, o imunologista foi questionado sobre a notícia durante a conferência de imprensa diária na Casa Branca, onde surge ao lado do presidente Trump e da coordenadora da resposta norte-americana à pandemia, Deborah Birx.

“Tudo o que tem que ver com os pormenores de segurança terá de ser perguntado ao inspector-geral dos Serviços de Saúde”, disse Anthony Fauci. O Presidente norte-americano interrompeu o imunologista para dizer que ele “não precisa de segurança porque é amado por toda a gente”.

As autoridades de segurança não revelaram nenhuma ameaça em particular contra a vida de Fauci e sabe-se que o imunologista também tem sido incomodado com pedidos de admiradores.

A sua oposição ao levantamento das medidas restritivas que estão em vigor em vários estados norte-americanos tornou-o um alvo preferencial para publicações e comentadores da direita radical norte-americana, que o acusam de fazer parte do “deep state” – uma teoria da conspiração sobre a existência de um Estado dentro do Estado norte-americano.

Num dos sites da extrema-direita norte-americana, o Gateway Pundit, Anthony Fauci foi acusado de “destruir a economia dos Estados Unidos com base em palpites e profecias histéricas”.

Nos últimos dias, Fauci e Deborah Birx apresentaram na Casa Branca um estudo que aponta para entre 100 mil e 200 mil mortes por covid-19 nos Estados Unidos, o que levou o Presidente norte-americano a mudar o seu discurso em relação ao combate ao novo coronavírus.

Na semana passada, Trump indicou que queria reabrir a economia do país até à Páscoa, mas no domingo prolongou as medidas de isolamento por mais um mês.

Fauci é director do Instituto de Alergias e Doenças Infecto-contagiosas dos Estados Unidos desde 1984, onde chegou nos primeiros tempos do pesadelo do HIV.

É uma das personalidades mais respeitadas na comunidade científica norte-americana e já aconselhou seis presidentes – quatro republicanos (Ronald Reagan, George Bush, George W. Bush e Donald Trump) e dois democratas (Bill Clinton e Barack Obama).

Licenciou-se na Faculdade de Medicina da Universidade Cornell com a melhor nota final da sua turma. Durante duas décadas, entre 1983 e 2002, foi o 13.º cientista mais citado entre os 2,5 a 3 milhões de autores de todas as áreas que publicam nas revistas científicas de todo o mundo. E, entre os que se dedicam exclusivamente ao combate ao HIV, foi o 10.º mais citado em todo o mundo entre 1996 e 2006.

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