Coronavírus: pico deve ocorrer “à volta de 14 de Abril”; taxa de letalidade em 1%

Doentes com covid-19 hospitalizados vão ser separados dos outros a partir da próxima semana. Capacidade para fazer testes ronda nove mil no Serviço Nacional de Saúde e 17 mil nos laboratórios privados. No mínimo, são feitos 1400 testes por dia, afirma directora-geral da Saúde.

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LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

O pico da curva epidémica do surto do novo coronavírus em Portugal deve ocorrer “à volta do dia 14 de Abril”, tendo em conta a evolução dos casos e as estimativas epidemiológicas, adiantou a ministra da Saúde. 

Apesar de o número de mortes ter duplicado (passou de seis para 12) e de os casos confirmados terem disparado para 1280 este sábado, mais 260 do que no dia anterior, a evolução epidemiológica no país aponta para “um abrandamento da inclinação da curva”, explicou Marta Temido na conferência de imprensa diária em que é efectuado o balanço da situação no país. Do total de casos positivos de covid-19, 12% dos casos permanecem hospitalizados, estando os restantes a ser acompanhados em casa — e esta continuará a ser a estratégia a seguir.

Já nos hospitais o “modelo de abordagem” aos doentes vai ser alterado na próxima semana. Os doentes com covid-19 vão ficar separados dos pacientes que não têm a doença. O modelo vai começar a ser aplicado a partir de quinta-feira para os serviços se adaptarem, especificou.

Sublinhando que a preocupação está sobretudo centrada nos mais idosos e mais vulneráveis, tendo em conta a experiência de Itália, Marta Temido disse ainda que os doentes nesta situação que forem transferidos de hospitais para lares devem ser sempre testados à chegada, de forma a garantir que não estão infectados e terão que ficar “o mais isolados possível” nestes estabelecimentos. “Temos que ser especialmente cuidadosos quando falamos de uma população que é mais frágil e com mais morbilidades associadas”, justificou.

Sobre a realização de testes aos casos suspeitos e a profissionais de saúde, adiantou que a capacidade para efectuar os diagnósticos laboratoriais ronda os nove mil no Serviço Nacional de saúde, mas notou que há mais testes disponíveis nos sectores privados e convencionado, cerca de 17 mil. A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, adiantou que, “em números grosseiros”, estão a ser feitos pelo menos 1400 testes por dia. Os profissionais de saúde são um grupo prioritário e, por isso, há uma nova orientação para que se sintam “em segurança” e “tranquilos para o trabalho que têm de fazer”, frisou ainda Marta Temido.

Questionada sobre se sente arrependimento em relação às medidas adoptadas no Norte do país, onde a situação é mais complicada, a governante admitiu que, ao longo daquele que tem sido o combate ao surto, se pode sempre “olhar para trás e pensar que aqui ou ali" seria possível “ter feito de uma forma diferente”. Mas sublinhou que se fez “sempre aquilo que eram as orientações existentes a cada momento” dos “técnicos e das autoridades de saúde”.

Recusando também arrependimentos, Graça Freitas considerou que “os hospitais trabalharam brilhantemente no Norte e no Centro” e “as equipas de saúde pública também”. Mas lembrou igualmente que as equipas de combate ao surto estão em “aprendizagem constante” e acentuou que as medidas podem ser diversas de região para região — num local pode optar-se por “um cordão sanitário”, noutro, por “minimizar a importação de novos casos”. 

Quanto à taxa de letalidade por covid-19, esta ronda agora 1% e está “aquém” de valores registados noutros países, mas pode evoluir para “outro tipo de valores”, porque Portugal tem ainda “muito poucos doentes com história de internamento muito prolongado”, avisou Graça Freitas. Portugal começou “a internar e a detectar casos no dia 2 [de março] e hoje é dia 21 e, portanto, ainda pode acontecer que alguns destes doentes venham a morrer”, admitiu.

Repetindo que cerca 80% do total de doentes serão tratados no domicílio, Graça Freitas enfatizou de novo a necessidade de adopção das “medidas comunitárias de redução de transmissão”, como lavar as mãos, não tocar no rosto nem nos objectos dos outros, proceder à limpeza frequente de superfícies e manter o chamado distanciamento social.