Mário Iala já não vai dirigir a PJ guineense

A Sissoco Embaló não agradou a escolha de um nome tão polémico. Governo deverá optar por nomear a vice-procuradora-geral, Teresa Silva, para substituir Filomena Mendes Lopes.

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Umaro Sissoco Embaló terá achado que a nomeação enviava uma mensagem errada internacionalmente RODRIGO ANTUNES/LUSA

O governo de Nuno Nabiam vai ser obrigado a recuar na ideia de nomear Mário Iala para chefiar a Polícia Judiciária (PJ) da Guiné-Bissau, depois de o autoproclamado Presidente Umaro Sissoco Embaló ter recusado o nome do delegado do Ministério Público, por ser um nome polémico na questão da luta contra o tráfico de droga.

De acordo com o que foi referido ao PÚBLICO por uma fonte em Bissau, o executivo deverá optar por escolher o nome de Teresa Silva, a vice-procuradora-geral da República, para ocupar o cargo de Filomena Mendes Lopes. Fernando Mendonça, o ministro da Justiça do Governo de Nuno Nabiam, demitiu Filomena Lopes por a directora da PJ se recusar a ir a despacho, por considerar o governo ilegal.

Curiosamente, Teresa Silva é mulher do juiz-conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça Mamadu Sadio Baldé, um dos que tem votado derrotado nas decisões sobre o diferendo eleitoral em relação à segunda volta das eleições presidenciais, alinhando pelas posições de Sissoco Embaló contra as pretensões do líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira.

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O autoproclamado Presidente terá torcido o nariz à nomeação de Mário Iala, porque o mesmo é visto como alguém que tentou travar o combate ao tráfico de droga, o que daria um mau sinal para a comunidade internacional.

Principalmente, quando Filomena Mendes Lopes deu provas de grande eficácia na luta contra o narcotráfico como directora-geral da PJ, tendo garantido em 2019 as duas maiores apreensões de droga da história da Guiné-Bissau, num total superior a 2,6 toneladas de cocaína apreendida e destruída.

Desde 2007, quando passou a ser considerado internacionalmente como um narco-estado, que na Guiné-Bissau não se faziam duas apreensões tão grandes, uma de 789 quilos em Março e outra de 1869 quilos em Setembro, num golpe contra as organizações criminosas que usam a Guiné-Bissau como ponto de passagem para traficar a cocaína para a Europa.

Mário Iala foi denunciado o ano passado pela ministra da Justiça, Ruth Monteiro, por ter monopolizado a acusação pública, sempre com o intuito de obstaculizar os processos, interferindo em todas as fases processuais, “dificultando a acção de prevenção do crime, de investigação do crime, de acusação pela prática do crime”.