Susana Ribeiro: “O nosso pior medo é esta incerteza, a estagnação e a falta de liberdade”

Susana Ribeiro é jornalista, líder de viagens e fundadora do site Viaje Comigo, onde escreve sugestões e guias de viagens para descobrir Portugal e o mundo. Escreve para a Fugas a partir de São Pedro de Atacama, no Chile.

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Estou no Deserto do Atacama, no Chile, onde ontem recebemos a notícia do encerramento das fronteiras para tentar controlar o novo coronavírus. Para já, por aqui, não há casos, mas na capital, Santiago, têm aumentado os números nos últimos dias. Apesar de São Pedro de Atacama ser um lugar muito pacífico e tranquilo, também o gel de álcool, máscaras e vitamina C esgotaram na única farmácia local. Sei que no aeroporto de Santiago estavam a medir a temperatura a toda a gente que vinha nos aviões da Europa. Eu saí do Porto, fiz escala em Madrid e em Lima, parando em Calama (a 100km de São Pedro), e tive apenas de preencher um papel que perguntava se tinha estado na China ou em Itália e onde tinha estado nos últimos 30 dias (no meu caso foi Portugal e África do Sul). Só isso.

Agora, em sete dias, tudo mudou: com o encerramento das fronteiras já não vou poder visitar a Bolívia e estou a tentar perceber qual é o melhor sítio para estar neste momento. Tenho só viagem de regresso a Portugal no fim do mês e para já está tudo ok com os voos mas, ao mesmo tempo, tudo está em aberto e pode mudar a qualquer momento. Na verdade, como trabalho em qualquer lado, com o Viaje Comigo, e como o meu próximo tour (como tour líder) em Marrocos foi adiado, estou a ponderar ficar aqui mais tempo... Não sei se será a melhor escolha, mas voltar à Europa, neste momento, também não me parece ser a melhor opção.

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Tenho vários tours (Marrocos, Tanzânia, Tailândia e Quénia, por exemplo) e viagens marcadas até ao final do ano, mas para já fico assim... à espera de novidades! Sem saber se estará controlado o vírus em breve ou não, mas a torcer para que acabe rapidamente e sobretudo que não haja açambarcamentos de comida.

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Isto, agora, é viver um dia de cada vez e ir vendo o que podemos fazer. Mas o que desejo é que tudo fique controlado rapidamente. E, muito sinceramente, visto de fora, acho que a UE devia ter apoiado mais a Itália, logo desde início, para controlar a situação. No entanto, fizeram o contrário: afastaram-se e deixaram-nos à sua sorte. Acho que o nosso pior medo é esta incerteza, a estagnação e a falta de liberdade... E se há algo que já aprendi com isto foi isso mesmo: não fazer muitos planos e ter algum jogo de cintura para lidar com estas alterações que mexem com as nossas vidas de forma muito profunda. Como será o meu dia amanhã? Não faço a mínima ideia! Espero que o mundo consiga ultrapassar isto rapidamente!

Este texto foi enviado no dia 17 de Março de 2020