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Coronavírus: vendas de máscaras de empresa de Famalicão sobem 30% nos primeiros meses do ano

As máscaras cirúrgicas vendidas pela Raclac, empresa que fornece produtos descartáveis a vários sectores, entre os quais máscaras cirúrgicas, têm sido alvo de uma procura “fora do padrão” em Janeiro e em Fevereiro, de vários pontos do globo, mas também do mercado interno.

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Paulo Pimenta

Desde o final de Dezembro, o surto do novo coronavírus já se alastrou a 61 países, de todos os continentes. Tida como um dos mecanismos que pode prevenir o contágio, a máscara cirúrgica tem sido alvo de uma procura crescente, com reflexos na actividade das empresas que vendem tais artigos. Esse é pelo menos o caso da Raclac, empresa sediada em Vila Nova de Famalicão que vende máscaras, entre outros produtos descartáveis para os sectores da saúde, da indústria, da alimentação e da estética. “Nos meses de Janeiro e de Fevereiro, a subida homóloga das vendas foi de 30%”, adiantou ao PÚBLICO Pedro Miguel Costa, administrador da empresa fundada em 2007, que atingiu um volume de negócios de 15,3 milhões de euros no ano passado.

Esse crescimento é o efeito do “aumento exponencial” da procura por artigos como máscaras cirúrgicas, mas também de batas de protecção, oriunda de vários pontos do globo, incluindo Portugal, país sem casos confirmados até agora, salientou o director comercial da empresa, Nuno Santos. “Recebemos diariamente chamadas da China, do Japão, de Inglaterra, da Espanha e da Itália, por exemplo”, detalhou. “Não há uma zona específica do planeta a solicitar-nos material de protecção. A procura é global.”

As máscaras cirúrgicas são feitas de materiais como polipropileno e polietileno, produzidos a partir de matéria-prima com origem asiática, em cerca de 95% dos casos, prosseguiu. O novo coronavírus foi pela primeira vez identificado em Wuhan, na China, país com o maior número de casos e de mortos, por larga margem; com o aumento da procura por máscaras e a quebra na oferta de matéria-prima, a Raclac “partiu em busca de novos fornecedores” para combater a escassez de máscara, esclareceu Nuno Santos.

O director comercial revelou mesmo que houve clientes internacionais a fazerem “propostas milionárias” para garantirem todo o stock de máscaras. “Recebíamos o preço que quiséssemos”, reiterou. A empresa, porém, recusou as propostas para “não deixar na mão os clientes habituais” – apesar dos clientes internacionais, mais de metade das vendas destinam-se ao mercado português, esclareceu ainda o responsável.

"Racionar os produtos"

A Raclac preferiu assim “racionar os produtos para todos os clientes nacionais”; o objectivo é que eles continuem a trabalhar com a maior normalidade possível durante o surto de coronavírus e a servir os seus clientes, que são, na maior parte, os cidadãos portugueses. “O surto deve ser um fenómeno temporário. Não queremos os nossos clientes numa situação desconfortável, nem os clientes dos nossos clientes, a população portuguesa”, frisou.

Já a directora técnica do departamento de qualidade, Raquel Pinho, afirmou que as máscaras cirúrgicas, embora capazes de evitar a contaminação, não devem ser utilizadas por mais do que duas horas no âmbito desta epidemia de coronavírus. “É conveniente trocar regularmente, pela saturação e pelas deslocações que fazemos da máscara”, disse.

Segundo a responsável, em “várias partes do mundo”, a Raclac vai abrir, no final de Março, a primeira unidade europeia de produção de luvas de exame, artigo até agora fabricado exclusivamente na Ásia. “Apesar de ter quatro anos, o projecto acaba por estar ligado ao coronavírus, que teve origem no continente asiático. Se a Ásia parasse, todo o mundo ficava sem luvas”, alegou.

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