Rangel pede “amplo debate nacional” sobre eutanásia

Eurodeputado do PSD defende a realização de um referendo para que os portugueses possam pronunciar-se sobre um tema que considera “fracturante”.

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Paulo Rangel Paulo Pimenta

O eurodeputado do PSD, Paulo Rangel, defendeu este sábado um “amplo debate nacional" sobre a eutanásia, um tema que considera demasiado complexo e fracturante. “Não tem havido um debate sobre esta matéria e acho preocupante que se vá fazer um voto sobre sobre a eutanásia sem um amplo debate nacional”, declarou Paulo Rangel à entrada para o congresso do PSD em Viana do Castelo, mostrando-se a favor da realização de um referendo sobre o assunto.

Em debate no congresso há uma moção sobre a eutanásia, da autoria do delegado António Pinheiro Torres. A moção foi apresentada na sexta-feira à noite depois da sessão de abertura oficial da reunião magna dos sociais-democratas.

Aos jornalistas, Paulo Rangel mostrou-se ainda favorável à realização de um referendo sobre o tema."Eu, que não era propriamente um partidário, um adepto, do referendo, vejo que hoje é a única solução para promover um debatedo qual as pessoas possam sair mais esclarecidas”, argumentou. E acrescentou: “Estou muito preocupado. Temos esta notícia da Holanda da pílula sem dia seguinte. Todas as pessoas que fazem 70 anos receberão como prenda de aniversário um comprido com o qual podem suicidar-se. E depois quem é que controla o destino destes comprimidos? Às tantas vamos ter gente a matar gente”.

Preocupado com a falta de debate sobre um tema que afirma ser fracturante, Paulo Rangel questiona-se: “Não sei por que é que as pessoas com 70 anos valem menos do que aquelas que têm 59 ou as que têm 33. Sinceramente estamos a chegar a limites muito complicados. Perante isto acho que um debate nacional se enquadra. A nossa visão humana, familiar e pessoal justifica um debate nacional”, reafirma Rangel.

O eurodeputado afirma ter havido alguma precipitação ao colocar o tema da eutanásia na agenda do congresso sem um debate e mostra compreensão relativamente aos congressistas que estão a pedir a realização de um referendo. “Compreendo que os colegas aqui estão a pretender um referendo porque, havendo um referendo, há um debate nacional e pelo menos os portugueses são ouvidos sobre um tema tão fracturante”. 

Apesar de considerar que a eutanásia não devia ser sujeita a referendo, Rangel revela que os seus colegas do congresso o convenceram de que um referendo “é necessário”.

A Assembleia da República agendou, por consenso, para 20 de Fevereiro o debate dos projectos do BE, PS, PAN e PEV sobre a despenalização da morte medicamente assistidaPedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE, André Silva, deputado do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), e Pedro Delgado Alves, vice-presidente da bancada do PS, afirmaram acreditar que, desta vez, seja possível aprovar uma nova lei, ao contrário do que aconteceu há dois anos. 

 
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