Venezuela perdeu dois terços da riqueza e vai perder 20% da população

O PIB do país diminuiu 35% em 2019 e as previsões do FMI apontam para uma redução de mais 10% este ano. A migração para os países vizinhos deverá superar as seis milhões de pessoas em 2020.

A queda de produção da empresa de Petróleos da Venezuela (PDVSA) contribuir para o encolhimento da economia
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A queda de produção da empresa de Petróleos da Venezuela (PDVSA) contribuir para o encolhimento da economia Reuters

A crise económica e política na Venezuela está a estrangular o crescimento do país que desde 2013 já viu o seu produto interno bruto (PIB) descer 65%, de acordo com os números do Fundo Monetário Internacional (FMI). Só em 2019, a economia venezuelana encolheu 35%. Para termos um exemplo comparável, a crise económica grega levou à redução de um quarto do PIB em seis anos (2008-2013).

“É muito difícil imaginar um país que possa continuar a cair a taxas anuais de 35%”, disse o director para o Hemisfério Ocidental do FMI, na apresentação do quadro macroeconómico regional. “Os modelos tendem a apontar para uma estabilização, mas não a uma recuperação”, acrescentou Alejandro Werner.

O FMI explica que o encolhimento do PIB venezuelano se deveu “à descida da produção de petróleo, à hiperinflação, ao colapso dos serviços públicos e à queda a pique do poder aquisitivo”.

De acordo com o Fundo, “estas tendências deverão continuar em 2020, embora a menor ritmo”, isto é, sem perspectivas de uma recuperação nos próximos tempos. Para 2020, a previsão é que a economia ainda desça outros 10% e mais 5% em 2021.

“A grave crise humanitária provocou uma das maiores crises migratórias da história e prevê-se que em 2020 a migração para os países vizinhos supere os seis milhões de pessoas, quer dizer, 20% por cento da população”, refere Werner nas suas Perspectivas para a América Latina e as Caraíbas: Novos Desafios ao Crescimento, lançado esta quarta-feira.

Extremamente dependente do petróleo, a economia venezuelana sofre a má gestão da companhia petrolífera estatal (PDVSA), a falta de investimento num sector que precisa de muita injecção de capital para manter a produção e as sanções impostas pelos EUA, principal comprador do crude da Venezuela (quatro em cada dez barris).

“Todos os anos pensamos que a queda da produção de petróleo será menor que a do ano em curso”, disse Werner na apresentação. E a verdade é que este ano haverá “uma certa estabilização, sim, mas a níveis muito baixos”. O que permitiu ao FMI rever as suas previsões e a Venezuela não está a caminho “da maior hiperinflação da história”, mas, ‘apenas’ para uma hiperinflação. 

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