Pais fecham escola em Barcelos a cadeado e exigem obras há muito prometidas

Associação de pais diz que a escola aguarda há mais de 15 anos por obras de fundo. A câmara já garantiu que os edificios serão intervencionados.

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A Escola da Pousa é frequentada por 40 crianças no jardim-de-infância e 80 alunos no 1.º ciclo e funciona em edifícios com várias décadas nelson garrido / PUBLICO

Os pais dos alunos que frequentam a escola do 1.º ciclo e jardim-de-infância da Pousa, em Barcelos,  fecharam esta quarta-feira os portões a cadeado, em protesto contra a “completa” falta de condições das instalações e o sucessivo adiamento das obras prometidas.

O presidente da Associação de Pais, Cristiano Coelho, disse à Lusa que a degradação das instalações leva a que o frio “entre por todos os lados”, o que “obriga” os alunos a levarem “mantinhas” para se aquecerem.

“É o frio que entra por todos os lados, são coberturas em amianto, são salas em que são precisos baldes para aparar a chuva, são casas de banho que metem medo, é todo um conjunto de problemas que estão há muito identificados mas que não há meio de serem resolvidos. E os pais perderam a paciência, até porque, além do mais, é a saúde dos nossos filhos que está em causa”, referiu. Segundo explicou, a escola aguarda há mais de 15 anos por obras de fundo.

Hoje, pais e alunos concentraram-se no exterior, com cartazes com frases como “Pais de luto”, “Projecto adiado, protesto marcado”, “Cansados de esperar”, “Salas de aula = doença” e “Amianto fora”.

Segundo Cristiano Coelho, o presidente da Câmara de Barcelos, Miguel Costa Gomes (PS), foi na terça-feira a Pousa garantir que as obras serão realizadas ainda no decorrer do actual mandato. Mas os pais querem ver para crer e já equacionam manifestar-se na próxima sessão da Assembleia Municipal de Barcelos, que terá lugar em Fevereiro.

A Escola da Pousa conta com 40 crianças no jardim-de-infância e 80 alunos no 1.º ciclo. Funciona em dois edifícios, um com mais de 50 anos, para o 1.º ciclo, e o outro com cerca de 40.

Segundo Cristiano Coelho, a caixilharia, em madeira, está podre, permitindo correntes de ar que “põem em causa a saúde” das crianças. O responsável contou que em Novembro, numa altura de muito frio, 32 alunos ficaram em casa, com sintomas de febre e constipação. Disse que houve mesmo uma criança que “quase entrou em hipotermia”.

Na manifestação de hoje, marcou também presença o Movimento Escolas sem Amianto (MESA), para “dar apoio” à luta dos pais pela remoção das coberturas em fibrocimento do edifício do jardim-de-infância.

“Estamos perante uma situação muito grave em termos de saúde pública, porque a degradação é tanta que o amianto está em libertação”, disse Mariana Pereira, do MESA. Lembrou que os próprios alunos do 1.º ciclo também acabam por ser directamente afectados, porque vão almoçar no edifício do jardim-de-infância.

O Bloco de Esquerda também se associou ao protesto, tendo o deputado José Maria Cardoso anunciado que irá fazer chegar o caso à Assembleia da República. “Sendo certo que é uma escola tutelada pelo município, também é certo que o Governo não pode pura e simplesmente assobiar para o lado, como se não tivesse nada a ver com o assunto. As crianças têm direito a uma escola decente e o Estado tem a obrigação de lhes dar essa escola”, referiu.

Contactada pela Lusa, a Câmara de Barcelos disse que as obras na escola avançarão “logo que exista disponibilidade financeira por parte do município”. Disse ainda que o projecto para a empreitada de requalificação “está pronto” e tem um valor base de 967 mil euros, acrescido de IVA.