Editorial

Um CDS-PP à procura de destino

O que escolherão os centristas? Um refrescamento do produto ou uma mudança radical.

Há produtos que surgem para satisfazer uma necessidade. Em vez de lavar manualmente a roupa em tanques de pedra, passámos a ter máquinas de lavar a roupa. Mas também há produtos que criam novas necessidades que nem julgávamos existirem. Por exemplo o walkman – para não falar logo do telemóvel. Quantas pessoas achariam que precisavam de ouvir música enquanto andavam?

Por vezes os partidos cumprem destinos similares. Ou ocupam um espaço de representação de que as pessoas têm necessidade ou então tentam fazer passar novas ideias, para as quais vão tentar convencer o público eleitor de que se trata de bens de primeira necessidade.

O CDS-PP que vai a congresso parece estar dividido nesse destino. Já não sabe ser o partido mais à direita no sistema, que um dia acolheu aqueles que nesse lado do espectro político não se reviam na inclinação centrista do PSD. Esse papel pós-revolucionário parece esgotado e pela direita entraram, com representação parlamentar, a Iniciativa Liberal e o Chega.

Por outro lado, estes mesmos dois partidos conseguiram vender algumas ideias novas a um eleitorado que se descobriu o gosto por um renovado radicalismo. Algumas delas nem são tão novas assim, algumas cheiram mesmo a bafio, mas as novas roupagens dão-lhe o brilho da novidade. Afinal o CDS sempre foi liberal e defensor dos valores tradicionais.

Ficar onde mais ao menos onde sempre estiveram, obviamente com outra energia e novos protagonistas, mas a mesma predisposição de sempre para chegar ao poder, é uma das possibilidades que se apresentam aos congressistas. Virar mais à direita, apostando que a crescente a polarização que se vive na sociedade irá fazer crescer o eleitorado deste espaço, é a outra tentação.

Olhando para os cinco candidatos assumidos percebe-se que ambas as possibilidades são possíveis. Mas sendo o congresso do CDS um congresso electivo, existindo em cima da mesa 12 moções de estratégia globais, tendo uma série de notáveis feito reserva das suas posições, o que impera é a incerteza própria dos grandes momentos políticos. Os centristas podem estar ligados à máquina para onde foram atirados com os 4,2% das eleições legislativas e os cinco deputados na Assembleia da República, mas neste fim-de-semana os seus corações vão bater bem forte. Mas se têm resistência cardíaca para a maratona que se segue é algo que nem dois dias intensos deverão deixar claro.

Sugerir correcção