“Erupção iminente” de vulcão nas Filipinas força declaração de “estado de calamidade”

Começou a sair lava do vulcão Taal, um dos mais activos nas Filipinas e a erupção pode acontecer “dentro de horas ou dias”, dizem as autoridades. Milhares de pessoas foram retiradas de suas casas. Na capital, Manila, fecharam escolas, serviços públicos e o aeroporto.

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Nuvem de fumo expelida no domingo EPA/MARK R. CRISTINO
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Mais de 10 mil pessoas tiveram de abandonar as suas casas EPA/MARK R. CRISTINO
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Cinza expelida pelo vulcão afectou região circundante EPA/MARK R. CRISTINO
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Vulcão Taal localiza-se numa ilha do lago com o mesmo nome Reuters/ELOISA LOPEZ
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Nuvem de cinza cobriu as imediações do vulcão Reuters/ELOISA LOPEZ

O vulcão Taal, nas Filipinas, teve uma explosão de lava esta segunda-feira, depois de ter emitido uma grande nuvem de cinzas, que alcançou a capital, Manila, a cerca de 70 km de distância. Foram retiradas da zona milhares de pessoas e declarado “estado de calamidade” em toda a província de Batangas, uma vez que a erupção pode acontecer “dentro de horas ou dias”. Quando vier, há risco de provocar um tsunami.

Foram encerrados os serviços públicos, escolas e o aeroporto da capital, Manila e pelo menos 500 voos cancelados, diz o Guardian. Pelo menos 24 mil pessoas foram retiradas de suas casas e levadas para centros de acolhimento de emergência, mas estes números devem aumentar rapidamente. 

“A velocidade com que a actvidade vulcânica aumentou apanhou-nos de surpresa”, disse Maria Antonia Bornas, cientista do Instituto de Vulcanologia e Sismologia das Filipinas, citada pela Reuters. “Detectámos magma. Ainda está profundo, ainda não chegou à superfície. Mas podemos esperar uma erupção perigosa a qualquer momento.”

Há ainda o risco dos habitantes desesperados que tentam voltar para as suas terras, as suas casas, apesar do perigo do vulcão e do tsunami. “O povo está em pânico devido ao vulcão porque quer salvar o sustento, porcos e rebanhos de vacas. Compreendemos que queiram verificar como está o seu rebanho, mas não queremos perdê-los por causa disso”, afirmou o autarca da cidade de Balete, Wilson Maralit, ao New York Times. “Estamos a tentar impedi-los de regressar e avisámos que o vulcão pode explodir novamente a qualquer momento e atingi-los”, acrescentou.

Maralit, cuja cidade fica ao longo da costa do lago Taal, em torno do vulcão em erupção, apelou para o envio de tropas e polícias adicionais para impedir que moradores voltem às aldeias costeiras, zonas de alto risco.

Há vilas e cidades cobertas por uma espessa camada cinzas a sudoeste do vulcão, que se transformam em algo semelhante a lama. É o caso de Agoncillo e Lemery, relta a Reuters. ​As estradas tornam-se intransitáveis. O presidente da câmara de Agoncillo, Daniel Reyes, disse à rádio DZMM que algumas casas e parte de um edifício tinham ruído por causa do peso da cinza vulcânica, relata a agência noticiosa. Em Talisay Batangas, a chuva transformou a a cinza em lama, e foi preciso usar camiões para salvar as pessoas de locais isolados. 

 meses que o Taal dá sinais de ter acordado e no domingo voltou a dar sinais de vida, lançando vapor, cinzas e pedras a uma distância de 15 km, segundo o Instituto de Vulcanologia e Sismologia filipino. A agência governamental de monitorização de vulcões elevou o perigo para o nível 4, indicando “uma erupção perigosa iminente”.

Instituto de Vulcanologia e Sismologia lembrou que a pequena ilha onde fica o vulcão é uma “zona de perigo permanente”, embora as aldeias de pescadores existam ali há anos. As autoridades aconselharam os moradores a permanecerem em ambientes fechados e a usarem máscaras e óculos de protecção ao ar livre.

Os serviços públicos e as aulas nas escolas de várias cidades foram suspensos, tal como em Manila, para evitar riscos de saúde causados pelas cinzas.

Um dos menores vulcões do mundo, o Taal está entre as duas dúzias de vulcões activos no arquipélago das Filipinas, situado ao longo do Anel de Fogo do Pacífico, uma região com elevada actividade sísmica, na qual se registam frequentes terramotos e erupções vulcânicas.

Cerca de 20 tufões e outras grandes tempestades também atingem as Filipinas todos os anos, tornando-o num dos países mais propensos a desastres do mundo.