Actuação do grupo Os Bóinas na Igreja de São Francisco, em Praga carlos sampaio
Reportagem

Houve cante no convento, há Bóinas à solta em Praga

Praga acolheu a apresentação da 16.ª edição do Terras Sem Sombra, o festival alentejano que une música, património e diversidade e que tem em 2020 a República Checa como país convidado. Os Bóinas, de Ferreira do Alentejo, levaram o cante a uma igreja do século XIII, sugerindo pontes culturais e mostrando-se herança do passado com vontade de futuro.

O grupo ensaia na tarde de quinta-feira, 9 de Janeiro, na Igreja de São Francisco, em Praga, erigida nos anos 30 do século XIII e parte do Convento de Santa Inês da Boémia, jóia gótica da capital checa. O grupo, Os Bóinas, prepara-se para a actuação mais importante da sua ainda curta carreira, iniciada em 2015. Perante os técnicos de som e luz do espaço ainda despido de público, é todo um contraste que se harmoniza: o claustro recuperado já este século tentando honrar o seu passado, com novos materiais e novas formas a dialogarem com a pedra e os pedaços escultóricos originais sobreviventes, e aquele conjunto de homens, novos e menos novos, a testar o som com uma moda sobre tragédias da vida terrena, a desgraça do Zé que “com um lenço se enforcou”.