Directas do PSD vão ser decididas por menos 30 mil militantes do que há dois anos

Perto de 40.500 militantes, concentrados sobretudo nas distritais de Porto, Lisboa e Braga, vão poder votar nas directas de Janeiro.

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LUSA/ANTONIO PEDRO SANTOS

Com a aplicação de um novo sistema de pagamento de quotas – mais personalizado –, o PSD fechou os cadernos eleitorais para as próximas directas com perto de 40.500 militantes aptos a votar, menos 30 mil do que nas últimas eleições internas, de Janeiro de 2018, que opuseram Rui Rio a Santana Lopes.

No top das distritais com mais militantes com capacidade de votar nas directas de Janeiro de 2020 mantêm-se o Porto, a Área Metropolitana de Lisboa, Braga e Aveiro. Só aí estão concentrados 57,7% dos sociais-democratas com capacidade eleitoral para as próximas directas, no total de 40.476 contabilizados no site do PSD.

O número de sociais-democratas com quotas válidas representa 36% dos militantes activos (que pagaram uma quota nos últimos dois anos) e que ascende aos 107.375 inscritos segundo o site do partido, depois de já ter terminado o prazo para o pagamento de quotas. 

O número de militantes com as quotas em dia e aptos a votar ainda não é definitivo, por ainda faltarem os pagamentos feitos por cheque recebidos até à meia-noite de dia 22 e outras “conciliações contabilísticas”, o que demorará mais alguns dias, segundo disse à Lusa o secretário-geral adjunto do PSD Hugo Carneiro.

Nas directas de 2018 podiam votar cerca de 70.000 militantes mas só 42 mil o fizeram (60% do total), o que é um número próximo do total de inscritos para esta eleição disputada entre Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz.

Fontes contactadas pelo PÚBLICO admitem que, desta vez, a taxa de participação seja mais elevada, tendo em conta a imposição de um sistema que exigia um pedido de referência multibanco, através de SMS ou de uma aplicação por telemóvel, e que requeria comprovativos de dados pessoais. A referência multibanco (com validade de 90 dias) é agora um número aleatório, quando anteriormente era o número de militante antecedido por zeros e era enviado por carta.

As novas regras geraram reclamações sobre o excesso de burocracia, mas foi o pagamento considerado anormal de quotas em localidades como Boticas que levaram a candidatura de Luís Montenegro a pedir ao conselho de jurisdição nacional (CJN) que fossem asseguradas condições de igualdade entre “quem tem a chave do cofre” e as outras candidaturas. Contactado pelo PÚBLICO, Nunes Liberato, presidente do CJN, escusou-se a prestar declarações sobre o assunto.

Embora a candidatura de Miguel Pinto Luz tenha desvalorizado a questão do pagamento de quotas, não deixou de fazer eco das queixas sobre as dificuldades em fazer a liquidação dos valores em dívida. No momento do encerramento dos cadernos eleitorais essa é uma das marcas do processo. “Não foram muitas, mas algumas pessoas acabaram por desistir por excesso de burocracia. Quiseram blindar tanto que acabaram por existir casos como o de Boticas e fica a suspeição no ar”, afirmou ao PÚBLICO Bruno Vitorino, líder da distrital de Setúbal e apoiante de Pinto Luz. Por estes motivos, o dirigente defende que este sistema “tem de ser repensado”.

As novas regras foram aprovadas no Verão passado pela direcção de Rui Rio para tentar acabar com aquilo a que chamou “vigarice” no pagamento de “300, 400 ou 500” quotas de uma só vez. O próprio líder do partido chegou a admitir dificuldades de alguns militantes na tentativa de pagar as quotas (12 euros por ano), mas a direcção não mudou as regras e tem desvalorizado a diminuição do número de sociais-democratas que vão poder participar nas directas de 11 de Janeiro, e numa eventual segunda volta uma semana depois, dia 18. 

Depois do Porto, Lisboa e Braga, entre as distritais com um mais militantes em condições de votar, surge Aveiro e um segundo grupo de estruturas com um número entre mil e 2000 quotas válidas, que inclui Leiria, Coimbra, Guarda, Viseu, Bragança, Vila Real, Viana do Castelo, Santarém, Faro e Setúbal. As estruturas da Europa (só 99), Fora da Europa (apenas dez) e da Madeira (onde apenas 104 pagaram as quotas) estão na cauda da lista disponibilizada no site.