PCP defende “necessidade absoluta” de novo hospital em Évora para não mandar doentes do Alentejo para Lisboa

Comunistas visitaram Hospital do Espírito Santo, cuja presidente se queixa de receber doentes enviados por outros hospitais alentejanos que podiam assumir os tratamentos, mas preferem poupar o seu orçamento.

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LUSA/NUNO VEIGA
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A despesa está autorizada e o concurso internacional para a apresentação de propostas decorre até 31 de Dezembro, mas o PCP pede urgência para que a obra comece mesmo em 2020, assim que for adjudicada, de forma a que o novo Hospital Central do Alentejo possa estar a funcionar em 2023. “A construção de um novo hospital que sirva todo o Alentejo e permita evitar que os doentes alentejanos tenham que ser enviados para Lisboa é uma necessidade absoluta para a região”, defendeu o líder parlamentar comunista João Oliveira esta sexta-feira de manhã, durante uma visita de uma comitiva do PCP ao Hospital do Espírito Santo, em Évora.

Prometido pelo Governo PS desde 2016 (mas apenas autorizada a despesa em Agosto deste ano), o novo hospital tem um custo previsto de 150 milhões de euros, será construído na periferia de Évora e tem uma capacidade prevista de 351 camas em quartos individuais, que pode ser aumentada, em caso de necessidade, até 487 camas.

Mas o Alentejo não precisa apenas de novas instalações hospitalares. A região sofre do mesmo problema que outras áreas do interior do país: falta de profissionais de saúde. Por isso, João Oliveira afirmou ser também necessário que se criem condições para fixar médicos, enfermeiros e técnicos de diagnóstico e terapêutica nas zonas do interior em número adequado às necessidades. Nomeadamente melhores condições salariais, de progressão na carreira e até mais condições de trabalho nas unidades de saúde.

“Temos que reforçar o serviço Nacional de Saúde por contraponto ao negócio da doença no privado” que tem roubado profissionais ao sector público, acrescentou o líder parlamentar comunista.

No Alentejo, afirmou o deputado, a notória falta de profissionais, com realce para os médicos especialistas, leva a uma “sobrecarga séria” para os que ali trabalham. “A recuperação de listas de espera de consultas e cirurgias [de que o primeiro-ministro não se cansa de falar nos debates quinzenais no Parlamento] é feita à conta da sobrecarga dos profissionais que trabalham em horas extraordinárias e também aos fins-de-semana e feriados” em alguns hospitais.

A comitiva comunista, acompanhada pela presidente do conselho de administração, a médica Maria Filomena Mendes, e outros elementos da equipa dirigente, visitou dois dos três edifícios do Hospital do Espírito Santo, na zona nascente de Évora, que estão divididos por uma avenida larga de empedrado que é, na realidade, o IP2. O hospital tem actualmente 314 camas e também aqui há um serviço a funcionar em contentores, o da urgência pediátrica, enquanto a unidade está em obras.

Trabalhar com ou contra os outros?

No edifício mais antigo, o do Espírito Santo, que foi hospital real desde 1495 e se tornou hospital central em 2008, percorreu-se o recém-criado Centro de Responsabilidade Integrada Cardiovascular do Alentejo, que tem agora as duas únicas salas de hemodinâmica em todo o Alentejo. Até há pouco tempo era apenas uma, o que significava que, quando havia um problema técnico e o equipamento estava fora de serviço, se houvesse um caso de enfarte do miocárdio em toda a região, o doente teria que ser transportado para Lisboa - e duas horas de viagem num caso destes podem tornar-se fatais -, explicou ao PÚBLICO a directora clínica, Isabel Pita.

O hospital dispõe também dos centros integrados de obesidade e de oncologia cirúrgica (com as especialidades de melanoma, mama, colorrectal e estômago). Maria Filomena Mendes realçou que os centros cardiovascular e de obesidade também funcionam em colaboração nos casos de doentes com diabetes - e no Alentejo a taxa é das mais altas do país - que têm que sofrer amputações.

Entre os vários hospitais alentejanos - Beja, Évora, Santiago do Cacém e Portalegre - há cinco gastroenterologistas e, tendo em conta os problemas de saúde desta população e o seu envelhecimento, os meios são escassos, queixa-se o médico Rogério Godinho. O problema principal, porém, é a má gestão destes recursos, aponta o gastroenterologista, para quem deveria ser centralizada esta especialidade. “Não estamos a trabalhar uns com os outros, mas uns contra os outros”, afirma.

A presidente do hospital explica: Évora é a única unidade hospitalar a funcionar por produção - ou seja, recebe consoante o que faz, sejam tratamentos, consultas ou cirurgias -, ao passo que as de Beja ou Santiago são por capitação - isto é, recebem per capita, pelo número de doentes que a sua área geográfica abrange. “O que faz com que os doentes com tratamentos mais caros dessas regiões sejam enviados para aqui, mas a capitação fica nos seus hospitais de residência”, admite a responsável pelo Hospital do Espírito Santo. Que também se queixa que há doentes enviados para tratamento aqui que poderiam fazê-los nos centros de saúde ou em clínicas convencionadas.