PCP quer acabar troço de 30 km do IP2 suspenso há oito anos para não ter hospital dividido ao meio

Ligação de Estremoz e A6 a Portel serviria também de variante nascente a Évora, permitindo tirar boa parte do tráfego de dentro da cidade. Foi suspensa em 2011 e retirada do plano da subconcessão do Baixo Alentejo e o Governo de Costa ainda não o incluiu no plano nacional de investimentos.

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LUSA/NUNO VEIGA
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Aqui e além há pilares com os ferros retorcidos a sair do cimento, alicerces de pontes que não vão dar a lado nenhum mas retiraram área de cultivo a vinhas, pequenos aquedutos no meio da erva que serve de pastagem a uma manada. As “obras de arte” em cimento tosco vão aparecendo à beira da estrada de Évora para o Reguengos de Monsaraz. Estão ali como fantasmas desde 2011, quando as obras do troço do IP2 que contornava Évora foram suspensas.

Serão cerca de 30 quilómetros de via que faltam construir para tirar do centro de Évora - ou pelo menos das avenidas empedradas que rodeiam as muralhas - o tráfego intenso de automóveis e sobretudo de camiões que por ali passam todo o dia, todos os dias. Atravessando os espaços do Hospital do Espírito Santo, que está dividido por edifícios de um lado e do outro da avenida, lembra o comunista João Oliveira, líder parlamentar e natural de Évora. “O hospital está numa situação absurda de funcionar em dois edifícios distintos separados por uma avenida que na verdade é o IP2 e por onde passa diariamente todo o tipo de veículos”, descreve.

O problema é que com a crise e a chegada da troika, em 2011, foi suspensa a obra do troço do IP2 que rodeava a cidade e assegurava a ligação à A6 a nordeste de Évora e que iria ligar a Estremoz, e que para sul se estendia até à entrada de Portel. A terraplanagem de boa parte do canal rodoviário do lado nascente de Évora já estava feita - no local nota-se a vedação que foi colocada, uma vez que os terrenos já tinham sido expropriados -, boa parte das obras de arte também já estavam adiantadas ou pelo menos com sapatas, alicerces e pilares levantados. E assim ficaram. 

“No plano nacional de investimentos não vemos vontade de completar o IP2 apesar de esta ser uma questão fundamental para a cidade porque permitia aliviar a pressão brutal que o o trânsito causa na cidade”, argumenta o presidente da câmara eleito pela CDU, Carlos Pinto de Sá, que nesta quinta-feira esteve num dos pontos da obra com a comitiva das jornadas parlamentares do PCP. Não há qualquer previsão de calendário para que seja retomada ou sequer colocada nos planos de infra-estruturas a lançar.

O autarca lembra que está prevista a construção do novo hospital para o lado oposto da cidade, e que nos últimos tempos se instalaram no perímetro da cidade novas empresas, num investimento total de 300 milhões de euros, e que continuarão sem resposta de acessibilidades.

Questionado pelos jornalistas, Carlos Pinto de Sá diz desconhecer o investimento necessário para a obra. Mas junto ao local que a comitiva do PCP visitou, junto à Herdade da Fonte Coberta, resta ainda um enorme placard de anúncio das obras na subconcessão rodoviária do Baixo Alentejo, com um valor total da empreitada de 371,9 milhões de euros e um prazo de execução global de 36 meses - só não refere a data do início ou fim. O consórcio construtor era a Rodovias do Baixo Alentejo, ACE, composto pelas empresas Edifer, Dragados, Tecnovia e Conduril.

E João Oliveira recorda que os comunistas têm apresentado propostas no Parlamento para se fazer uma avaliação do projecto que estava previsto há oito anos, do que é possível ou não aproveitar - há muito pilar enferrujado e sem condições de segurança para reutilizar -, e para que se lance um novo concurso para, finalmente, se concluir a obra.

O deputado comunista Bruno Dias recorda que em 2012 foi feita a renegociação do contrato da subconcessão rodoviária do Baixo Alentejo e retirou-se do negócio - e das obrigações da concessionária - a intervenção que estivera prevista no IP2. “O problema do IP2 é indissociável da estratégia do Governo de José Sócrates de privilegiar as PPP”, apontou, para defender que a solução passa por acabar com esta concessão e passar a gestão para a IP - Infra-estruturas de Portugal.