“Não vamos parar”: Greta Thunberg chegou a Lisboa, onde afinal vai ficar dois dias

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Greta Thunberg já chegou a Lisboa. Quase cinco horas depois da hora prevista, o La Vagabonde atracou na Doca de Santo Amaro. Ainda o barco se aproximava do cais e já se ouviam palmas, batuques e cânticos: “Welcome, Greta!”, gritavam os portugueses que a esperavam. À sua espera, além dos activistas climáticos, estavam deputados, jornalistas e muitos fãs. Também a “Brigada Vermelha” marcou presença na recepção. Vestidos de vermelho da cabeça aos pés, com a cara pintada de branco, os activistas do Extinction Rebellion encenaram um protesto.

Já com os pés assentes em terra, Greta foi cumprimentada por Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, José Maria Cardoso, deputado do Bloco de Esquerda e líder da comissão parlamentar do Ambiente, e Matilde Alvim, uma das organizadoras da Greve Climática Estudantil em Portugal.

A recepção da activista, feita no cais, prosseguiu com discursos de boas-vindas. Fernando Medina agradeceu a presença da jovem em Lisboa e a sua acção de sensibilização, com impacto a nível global. Matilde Alvim falou em nome do movimento climático português e utilizou uma das célebres frases da activista sueca: “A nossa casa está a arder.” A jovem portuguesa mencionou algumas das exigências da Greve Climática Estudantil: "Precisamos de neutralidade carbónica até 2030, manter os combustíveis fósseis no chão, providenciar energia limpa e cancelar novos projectos de aeroportos, como o do Montijo", disse. E terminou, agradecendo directamente a Greta Thunberg: "Obrigada por teres inspirado uma geração, por teres sido tão radical no teu discurso. Por favor, não páres."  

Seguiram-se algumas palavras de Abel Rodrigues, que alertou para a desflorestação da Amazónia, e de Riley Whitelum, o youtuber australiano que, juntamente com a mulher Elayna Carausu e o filho de 11 meses, Lenny, deu boleia a Greta Thunberg. Nikki Henderson, marinheira profissional que pilotou o barco até Portugal, mencionou a dificuldade que uma viagem desta dimensão representa para alguém "como Greta e o seu pai", que "não estão habituados". "Estar com a Greta durante 21 dias fez-me sentir que se estivermos todos juntos, tudo parece menos assustador. E há mais esperança", rematou. 

"É muito bom sermos recebidos de forma tão calorosa. Estou muito feliz por estar nesta bonita Lisboa", começou por dizer Greta. A jovem sueca mencionou algumas dificuldades associadas à viagem, como o "isolamento durante três semanas, num espaço tão limitado", mas não tardou em fazer promessas de mais luta: "Não vamos parar. Vamos continuar a viajar e a pressionar as pessoas que estão no poder, assegurando-nos de que eles prioritizam este problema." E rematou, em resposta a um jornalista: "Acho que as pessoas estão a subestimar a força dos miúdos zangados. Nós estamos zangados, frustrados, mas é por uma boa razão."

Questionada sobre se concorda com a construção do aeroporto do Montijo, Greta confessou não conhecer o contexto, mas foi assertiva. "Não precisamos de pensar no que nos vai beneficiar agora, mas no futuro", revela a activista, que vai afinal permanecer por Lisboa dois dias, partindo depois para Madrid, onde é esperada na COP25, a tempo da manifestação de sexta-feira, uma contra-cimeira convocada pelo movimento Fridays For Future.

Greta ainda não sabe em que eventos irá participar na Cimeira, mas o que espera é que os líderes mundiais "percebam a urgência" da crise climática, "ouçam a Ciência e ajam". "Que comecem a encarar esta crise como uma crise e cooperem internacionalmente." A carta que o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, enviou a Greta foi também um dos assuntos abordados. A jovem não está "100% certa" se a terão recebido ("é muito difícil comunicar lá") e, para a "comentar", teria de ler em detalhe. "Mas acho que posso dizer que nenhum país está a fazer o suficiente e devemos fazer muito mais do que estamos a fazer agora", ressalvou.

Daniel Rocha
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Riley Whitelum
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