Crónica de jogo

Loum decidido a não facilitar aumenta pedalada do FC Porto

Golo do senegalês e “bicicleta” de Zé Luís mantiveram os “dragões” no rumo certo, numa noite em que Aboubakar voltou a lesionar-se.

Loum festeja o primeiro golo da noite
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Loum festeja o primeiro golo da noite LUSA/FERNANDO VELUDO

O FC Porto bateu o Paços de Ferreira na 12.ª jornada (2-0), mantendo a invencibilidade caseira em mais um jogo em que não consentiu qualquer golo no Estádio do Dragão, e repôs, sem problemas, a diferença de dois pontos para o líder Benfica. Tudo num jogo em que os pacenses, apesar de algumas tentativas para desestabilizar o adversário, nunca alimentaram grandes ilusões de alcançar um resultado positivo. Loum e Zé Luís decidiram o jogo com um golo em cada parte, havendo ainda a registar dois remates aos postes do guardião Ricardo Ribeiro.

Com uma única alteração - troca de Mbemba por Manafá, para conferir um pendor mais ofensivo na direita - relativamente ao último “onze” utilizado frente ao Young Boys, o FC Porto entrou mentalizado para um jogo de paciência, fazendo uma boa circulação de bola na expectativa de aproveitar a mínima falha pacense. Sérgio Conceição mantinha a dupla de ataque Marega e Aboubakar, mas Pepa apresentava um Paços de Ferreira com as linhas sempre muito unidas, apostando na capacidade de explosão de Tanque e Uilton para explorar os espaços que os “azuis e brancos” teriam de conceder. 

Mas, mesmo sem criar grandes ocasiões, o FC Porto haveria de resolver o primeiro problema, marcando por Loum na sequência de mais um lance de bola parada. O senegalês surgiu sem oposição a cabecear, reduzindo os níveis de ansiedade com um golo pouco depois do primeiro quarto de hora de jogo.

Perante uma conjuntura desfavorável, o Paços de Ferreira foi obrigado a expandir-se, o que fez com processos simples, embora beneficiando de um ressalto no lance em que Marchesín foi obrigado a aplicar-se (27’) para evitar o pior, num dos raros remates da primeira parte, que Hélder Ferreira tentou colocar ao segundo poste. O jogo prosseguiria sem grandes rasgos até que Marega, num dos movimentos que privilegia, atirou ao poste da baliza pacense, após desvio subtil de Ricardo Ribeiro. Mas essa foi a excepção numa noite em que o perigo surgia sempre associado a livres ou cantos. Pedrinho dispôs de uma boa ocasião para tentar o empate, mas do livre frontal nada resultou.

O registo da segunda metade, já com Zé Luís no lugar de Aboubakar, não diferia muito. E foi preciso um lance entre Diaby e Otávio, na área dos “castores”, para agitar as bancadas, que reclamavam um penálti... que o VAR não assumiu, apesar do contacto evidente do francês, a tocar o rosto do brasileiro, impedindo-o de prosseguir o lance. 

Indiferente a polémicas, Loum insistia e ficava perto de bisar, obrigando Ricardo Ribeiro a voar para travar um remate em arco. O guarda-redes do Paços de Ferreira conseguiria apenas adiar a explosão portista, negando o golo a Marega antes de Zé Luís inventar um novo conceito de pontapé-de-bicicleta, sempre com Alex Telles nas assistências. O avançado cabo-verdiano colocava um ponto final na discussão e no jejum que o afastou dos golos ao longo de oito partidas (76’).

Por essa altura já Sérgio Conceição tinha sido forçado a substituir Corona, que cedeu o lugar a Sérgio Oliveira, um regresso à Liga após ausência prolongada (lesionou-se na Liga dos Campeões, com o Krasnodar, e ensaiou o regresso na Taça e na equipa B). O golo de Zé Luís - o sétimo na Liga -, numa altura em que o Paços de Ferreira se insinuava com alguma insistência na área de Marchesín, acabou por atenuar os efeitos da saída do mexicano, mesmo numa noite menos fulgurante do que o habitual de Corona nos últimos compromissos. 

Mais tranquilo, o FC Porto procurava afastar o adversário das imediações da gande área, levando-o para terrenos menos críticos, tendo a entrada de Nakajima servido, em certa medida, para impor maior respeito e travar algum ímpeto. Uma jogada que resultou em pleno, com Sérgio Oliveira a assinar o último grande momento, num cruzamento/remate ao poste, o décimo dos “dragões” na presente época.