Dois fundadores do Chega saem e denunciam pressões

Jorge Castela, que saiu do partido em Março, enviou um email no qual refere milhares de assinaturas falsificadas.

André Ventura no dia em que entregou as assinatura no Tribunal Constitucional
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André Ventura no dia em que entregou as assinatura no Tribunal Constitucional LUSA/João Relvas

Dez meses depois da constituição do Chega como partido, a revista Sábado revelou que dois dos seus fundadores se desvincularam, deixando denúncias de ilegalidades que estão a ser investigadas pelo Ministério Público, ainda sem arguidos. “Entre nós, ninguém nunca acreditou que o responsável por organizar e contar as assinaturas não tenha reparado que existem 300 páginas todas com a mesma caneta, a mesma letra e assinaturas todas parecidas”, afirmou Pedro Perestrello, um dos ex-fundadores e antigo candidato autárquico do PNR, à revista. 

Jorge Castela, advogado e economista, que também se afastou do partido em Março deste ano, quando o caso chegou à justiça (partido assumiu as irregularidades detectadas e queixou-se da interferência de terceiros), enviou um email ao núcleo duro do movimento, no qual falava em “prática criminosa”, “dolo e negligência” e criticava o “secretismo” com que o processo de assinaturas havia sido conduzido por Nuno Afonso, hoje chefe de gabinete do deputado único do Chega

“Estamos a falar de um lote de assinaturas em número superior a 1300, de fichas em que era manifesta e imediatamente perceptível tratarem-se de documentos falsificados e/ou contrafeitos”, lê-se na mensagem electrónica citada pela revista. 

Recorde-se que o Chega entregou 8312 assinaturas, 1813 das quais não foram validadas pelo Tribunal Constitucional, o que obrigou a estrutura do então movimento a entregar mais 2223 (826 com problemas) nos dez dias seguintes.

Nuno Afonso rejeita responsabilidades nas falsificações e André Ventura defende-o. “Eu penso que, na altura, quem quisesse ver as assinaturas, o Nuno Afonso nunca iria recusar”, justificou o deputado, para quem é injusto responsabilizar apenas a pessoa na qual a tarefa foi centralizada. Já o seu chefe de gabinete, justificou-se à revista: “Houve muitas pessoas, do partido e fora dele, que saíram e recolheram assinaturas. Quem recolhia, preenchia as fichas, é normal que tenham a mesma caligrafia”.

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