Praça do Comércio vai ter um story centre dedicado ao bacalhau

Novo equipamento cultural foi anunciado esta terça-feira numa cerimónia de apresentação de obras que já decorrem há vários meses. Reabilitação da frente ribeirinha entre a Praça do Comércio e a Doca da Marinha vai custar 27 milhões de euros.

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Fotomontagem de como será a zona no futuro DR

Há quase 90 anos que praticamente não se viam civis na Doca da Marinha, local do centro de Lisboa que até há pouco esteve afecto a actividades da Armada. Esta terça-feira, uma extensa comitiva de políticos, administradores públicos, empresários e jornalistas cruzou o portão da doca para uma visita ao espaço que, daqui a um ano, deverá estar requalificado e aberto a todos.

É pelo menos essa a expectativa do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, que fez questão de calcorrear toda a doca enlameada com a comitiva a reboque. “Não conheço ninguém que tenha conhecido este espaço sem estar vedado”, comentou o autarca. “Até há poucos meses estava aqui um muro alto e sobre o muro havia uma vedação”, lembrou.

As obras na Doca da Marinha começaram há uns meses, já depois de iniciados os trabalhos na Estação Sul e Sueste, que se está a transformar num terminal marítimo-turístico. Esta terça, a câmara e a Associação de Turismo de Lisboa (ATL), responsável pelas obras, decidiram fazer uma cerimónia para anunciar que toda aquela zona passará a ser “o novo cais de Lisboa” em 2020. Apesar da pompa, as novidades foram poucas.

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Uma das imagens divulgadas do futuro Bacalhau Story Centre DR

Houve duas, ainda assim. No torreão nascente da Praça do Comércio, paredes meias com o Ministério das Finanças, vai nascer em breve o Bacalhau Story Centre, um projecto descrito na brochura como “uma homenagem a um símbolo da gastronomia, da cultura e da história de um país que há muito pensa global”. Durante a cerimónia foram escassas as explicações sobre esta nova atracção, que deverá estar ligada ao navio bacalhoeiro Creoula.

Segundo Fernando Medina, o navio será reabilitado através de uma parceria entre as câmaras de Lisboa e Aveiro, a Marinha e o Ministério da Defesa. Depois ficará ancorado na Doca da Marinha e aberto a visitas. Quanto ao Bacalhau Story Centre, o autarca chamou-lhe Centro da História do Bacalhau. “Temos de ver se o nome fica em inglês ou português”, desabafou.

A outra coisa que ainda não se sabia é que a Estação Sul e Sueste, para além de se tornar um terminal para barcos que façam passeios no rio, vai albergar o Centro Tejo, um espaço expositivo sobre “a extraordinária valia natural e cultural do estuário”, explicou Medina.

27 milhões

Na Doca da Marinha foi já demolido o muro que a separava da Av. Infante D. Henrique e decorrem trabalhos de alcatroamento. O projecto, do arquitecto Carrilho da Graça, prevê a plantação de uma fileira de árvores – à semelhança do que já acontece junto ao Terminal de Cruzeiros, também da sua autoria – e a construção de quatro quiosques e um restaurante.

Ali está ainda previsto reabilitar um pontão. Trata-se do primeiro passo de um projecto mais vasto de “recuperação dos pontões no estuário do Tejo”, explicou Medina, para tornar possível novos negócios de transporte fluvial. Durante a cerimónia, o autarca frisou por quatro vezes que esta ideia tinha sido de Teresa Leal Coelho, vereadora do PSD, que estava na primeira fila a assistir.

Também junto à Sul e Sueste vão ser colocados novos pontões, para além de estar prevista a reabilitação dos cais já existentes e que hoje servem quem faz a travessia de e para a Outra Banda. Na Praça do Comércio vai ser reposto o Muro das Namoradeiras e o Cais das Colunas recuperará a configuração original – ao eliminar-se uma zona de aterro que ali está desde as obras do metro.

“A nossa meta é terminar este projecto na sua globalidade no segundo semestre do próximo ano”, disse o director-geral da ATL, Vítor Costa. “A estimativa é de um investimento global de cerca de 27 milhões de euros, 16 do Fundo de Desenvolvimento Turístico [alimentado pela taxa turística] e 11 de fundos próprios da ATL”, explicou.