Campo das Cebolas e Cais do Sodré vão abrir-se ao rio e aos lisboetas em 2017

O presidente da Câmara de Lisboa promoveu uma visita às duas praças, que vão ser objecto de obras de requalificação orçadas em 18 milhões de euros.

Fernando Medina no Campo das Cebolas
Fernando Medina no Campo das Cebolas Enric Vives-Rubio
Assim ficará o Campo das Cebolas quando as obras chegarem ao fim
Assim ficará o Campo das Cebolas quando as obras chegarem ao fim DR
Campo das Cebolas
Campo das Cebolas DR
Campo das Cebolas
Campo das Cebolas DR
Campo das Cebolas
Campo das Cebolas DR
Campo das Cebolas
Campo das Cebolas DR
Esta é a proposta para o Cais do Sodré
Esta é a proposta para o Cais do Sodré DR
Cais do Sodré e Praça Duque Terceira
Cais do Sodré e Praça Duque Terceira DR
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Quando chegarem ao fim as obras de requalificação do Campo das Cebolas, do Corpo Santo e do Cais do Sodré, Lisboa terá “toda uma nova frente ribeirinha”, “extraordinariamente ampla” e aberta à “fruição pública por todos os munícipes”. Quem o diz é o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, segundo quem estas empreitadas, que representam um investimento de 18 milhões de euros, estarão concluídas “no prazo de um ano e meio”.

Esta terça-feira de manhã, o autarca socialista chamou os jornalistas para o acompanharem numa visita àqueles locais. O ponto de partida foi o Campo das Cebolas, onde estão agora a começar duas empreitadas, com um custo global de 12 milhões de euros: uma de requalificação do espaço público e outra de construção de um parque subterrâneo, com capacidade para cerca de 200 viaturas.

Ambas as obras foram projectadas pelo arquitecto Carrilho da Graça, que disse ter a intenção de transformar o Campo das Cebolas numa praça “despretensiosa, acolhedora”, na qual “tudo possa ocorrer”. A ideia, explicou, passa por “recuperar o sentido” que esta área tinha no século XIX, quando era “um campo de feiras, um espaço aberto, utilizado pela cidade quotidianamente”.

Nesse sentido, o arquitecto destacou que a praça, que se pretende que combine “solidez e simplicidade”, será arborizada e terá um espaço para as crianças brincarem. O pavimento, adiantou Carrilho da Graça, será em “betão combinado com pedra lioz”, o que lhe conferirá “um tom claro e uma presença muito forte”. Quanto ao parque de estacionamento, o autor do projecto frisou que ele terá “uma relação muito directa com o exterior”, beneficiando de luz e ventilação naturais.

Para o presidente da câmara, este “é seguramente um dos projectos mais emblemáticos e mais bonitos que a cidade conheceu nos últimos anos”. “É das obras de que mais nos orgulhamos”, acrescentou Fernando Medina, que sublinhou que o Campo das Cebolas será “a grande porta de entrada” para todos os que chegarem a Lisboa através do futuro terminal de cruzeiros de Santa Apolónia.

Apresentações feitas, o autarca fez questão de contornar a área até chegar à frente junto à Avenida Infante D. Henrique. O objectivo foi mostrar os painéis, presos a vedações metálicas, e o cartaz de grandes dimensões que ostentam imagens de como ficará o local depois de concluídas as obras, lá para Março de 2017.

Ainda antes de chegar ao ponto seguinte da visita, a comitiva que acompanhava Fernando Medina fez uma curta paragem em frente à Estação Sul e Sueste, edifício que está desocupado e visivelmente degradado e que a câmara reivindica há vários anos que lhe seja entregue. A ideia é transformá-lo numa “gare marítimo-turística”, gerida pela Associação de Turismo de Lisboa e financiada com verbas da Taxa Municipal Turística.

Questionado pelo PÚBLICO sobre se vai insistir com o novo Governo para que essa ambição se concretize, o sucessor de António Costa à frente da autarquia sorriu e respondeu: “Tenho a convicção de que não será preciso insistir muito”.

Já no Cais do Sodré, foi a vez de o arquitecto Bruno Soares dar a conhecer o projecto que elaborou para esta praça, mas também para a Praça do Duque da Terceira e para o Largo do Corpo Santo. Segundo frisou, houve uma tentativa de “valorizar cada uma das praças”, promovendo a sua “remodelação” e a “requalificação do espaço público”, sempre com a ideia subjacente de que elas não deveriam ser “tratadas da mesma maneira”.

“É uma intervenção aparentemente simples, mas muito complexa em termos técnicos”, notou Bruno Soares, frisando que as suas principais vertentes são “a reformulação do sistema de circulação e a revalorização do espaço público”. No conjunto das três praças, está em causa uma obra de 6,2 milhões de euros, cuja execução deverá prolongar-se até Janeiro de 2017.

Em relação ao Cais do Sodré, o arquitecto explicou que a praça central será aumentada, perdendo estacionamento e ganhando árvores. Nas suas laterais e no topo junto ao rio circularão apenas transportes públicos, passando a circulação de automóveis particulares a fazer-se junto à Praça Duque da Terceira, que ostenta a estátua inaugurada em 1877.

Tanto Bruno Soares como Fernando Medina destacaram que a obra agora em curso permitirá que o eléctrico 24 volte a circular, ligando o Cais do Sodré a Campolide. O presidente da câmara frisou que esse é o desejo de muitos lisboetas e manifestou a expectativa de que ele possa ser concretizado “a médio prazo”.

“Estamos em conversações para ver se conseguimos alterar as prioridades”, respondeu Fernando Medina, quando confrontado com o facto de a reactivação dessa linha não ser vista como prioritária pela actual administração da empresa Transportes de Lisboa. “Uma das razões fundamentais porque achamos que a Câmara de Lisboa deve ter a gestão da Carris é precisamente essa, porque deve ser a câmara a definir as prioridades centrais da mobilidade e naturalmente que a recuperação do eléctrico 24 é uma delas”, acrescentou.

O autarca reconheceu que com a realização em simultâneo de obras no Campo das Cebolas e no Cais do Sodré não vai ser fácil a vida dos automobilistas, embora “em nenhum momento a circulação vá ficar totalmente vedada” nessa área. O município, adiantou, vai fazer “um plano excepcional de desvios de tráfego”, a começar na Avenida de Ceuta e a acabar em Xabregas.