Infra-estruturas de Portugal reconhece “situações pontuais de degradação” na estrada marginal de Cascais

Circulação na via da direita da Estrada Marginal no sentido Cascais-Lisboa está encerrada, entre a rotunda de São Pedro e o cruzamento da Parede, devido à degradação do muro. IP reconhece situações de degradação, mas diz que muralha “não suporta directamente” a estrada.

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Francisco Romão Pereira

A Infra-estruturas de Portugal (IP), entidade responsável pela gestão das estradas, reconheceu esta terça-feira que foram detectadas “situações pontuais de degradação” da muralha junto ao troço da Estrada Marginal (EN6) que liga Cascais a Lisboa. O trânsito está condicionado, desde a noite de segunda-feira, entre São Pedro do Estoril e Parede, no sentido Cascais-Lisboa. Em resposta a questões do PÚBLICO, a IP explica que a degradação da muralha da orla costeira decorre da abrasão marítima, “eventualmente agravada pelas marés das últimas semanas”.

Segundo explica a empresa, a muralha “não suporta directamente a Estrada Marginal, cuja plataforma rodoviária assenta num maciço rochoso calcário que mantém a sua integridade”, referindo ainda que estes pontos de degradação “têm vindo a ser objecto de monitorização periódica pela IP na medida em que a evolução da erosão desta muralha poderia a prazo impactar no muro de protecção da EN6” — este sim a responsabilidade da IP. 

PÚBLICO -
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Câmara Municipal de Cascais

A empresa diz que já reuniu anteriormente com a Agência Portuguesa do Ambiente e com a Câmara Municipal de Cascais sobre este assunto, “tendo sido acordadas as propostas de intervenção”. Desta forma, escreve a empresa, a intervenção na muralha da orla costeira será assumida pela autarquia cascalense, enquanto a obra de maior monta, no muro de protecção da N6, será da responsabilidade da IP e deverá avançar no próximo ano. 

Na manhã desta terça-feira, o presidente da Câmara de Cascais disse à Lusa que a obra de contenção de risco do muro, entre a rotunda de São Pedro do Estoril e o cruzamento da Parede, começará na quarta-feira, durando entre quatro e cinco dias. “A obra que se irá realizar de imediato, que começa amanhã, quarta-feira, é uma obra de emergência, de contenção de riscos. Mas é uma obra que durará quatro a cinco dias, com um valor que estimamos, neste momento, em cerca de 150 mil euros”, explicou. 

No entanto, o andamento das obras estará dependente das condições climatéricas e do estado do mar. A autarquia identificou cerca de dez buracos no muro da estrada marginal, junto ao mar. Alguns, precisou fonte da autarquia ao PÚBLICO, têm cinco metros de largura e quatro de profundidade. Daí a decisão de encerrar a via direita da Estrada Marginal para quem circula em direcção a Lisboa. A via só reabrirá quando todos os trabalhos estiverem concluídos. Nesse período, a circulação estará condicionada e apenas se fará pela via do lado esquerdo. 

Quanto à obra de maior dimensão, o autarca confirmou que essa intervenção estava já a ser “planeada e trabalhada” entre o município, a IP e a Agência Portuguesa do Ambiente. “É uma obra estrutural estimada em dois milhões de euros, mas ainda precisa de um conjunto de procedimentos. Já tem projecto, vai ser lançado concurso público, depois tem de ter o visto do Tribunal de Contas. É uma obra que demorará mais algum tempo”, acrescentou o autarca.