Luxemburgo ficou na história de Eusébio e pode ficar na de Ronaldo

Se Portugal conseguir vencer neste domingo a selecção luxemburguesa, garante a qualificação para o Campeonato da Europa de 2020. Fernando Santos assegura que o frio e o mau estado do relvado do Stade Josy Barthel não servirão de desculpas.

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Cristiano Ronaldo LUSA/MARIO CRUZ

Não é um jogo decisivo – se a selecção nacional não vencer e a Sérvia derrotar a Ucrânia haverá uma última hipótese de qualificação via play-off -, mas apesar do frio, do mau estado do relvado e da valia do Luxemburgo, que tem evoluído nos últimos anos, Portugal quer garantir já neste domingo (14h, RTP1) que em Junho e Julho do próximo ano defenderá o título europeu no cosmopolita Campeonato da Europa de 2020. Se na matemática do apuramento as contas são simples de se fazerem, prever as opções tácticas de Fernando Santos para a última partida do Grupo B é uma equação mais complicada: com menos de 72 horas de intervalo em relação ao jogo com a Lituânia, é provável que o seleccionador faça alterações em relação ao “onze” que entrou no Estádio do Algarve.

O historial dos confrontos entre o Luxemburgo e Portugal têm quase seis décadas e um domínio quase absoluto português: 14 vitórias em 16 confrontos. No entanto, apesar da pouca relevância que os luxemburgueses têm no panorama europeu, o Grão-Ducado pode ficar associado a um marco importante da história dos dois nomes grandes do futebol nacional.

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Se a 8 de Outubro de 1961, na única vitória do Luxemburgo contra Portugal, o frente a frente entre os dois países marcou a estreia de Eusébio com a camisola portuguesa – o “pantera negra” marcou no desaire, por 2-4 -, hoje, o duelo entre o 96.º e o 6.º do ranking da FIFA pode ficar na história como o jogo em que Cristiano Ronaldo marca o seu centésimo golo por Portugal.

Com 13 golos nos nove jogos que fez pela selecção em 2019, Cristiano Ronaldo precisa de apenas um bis para chegar ao golo 100 e será, salvo qualquer imprevisto de última hora, um dos 11 jogadores que Fernando Santos colocará em campo no Stade Josy Barthel, mas uma das dúvidas sobre as opções tácticas do técnico português é saber se Gonçalo Paciência continuará a fazer par com o jogador da Juventus no ataque.

Com Gonçalo Guedes e João Félix de fora devido a lesão, Santos voltou a apostar contra a Lituânia num jogador de área mais fixo (Paciência). Apesar das debilidades dos lituanos, a opção táctica, que já tinha dado bons resultados no passado com André Silva, deu a Portugal mais soluções ofensivas e a aposta no jogador do Eintracht Frankfurt deverá repetir-se.

No meio-campo, o puzzle parece mais difícil de preencher. Contra a Lituânia, Fernando Santos não hesitou em colocar no apoio a Ronaldo e a Paciência um quarteto que joga com olhos na baliza adversária (Rúben Neves, Bruno Fernandes, Pizzi e Bernardo Silva), mas com o relvado em mau estado no Luxemburgo e com um adversário de maior valia, é provável que Danilo avance para o “onze” no lugar de Pizzi ou Bruno Fernandes. Na defesa, não há dúvidas que a dupla de centrais será a mesma da final da Liga das Nações (Rúben Dias e José Fonte), mas pode surgir “sangue novo” nas laterais, com a entrada de Cancelo ou Guerreiro.

Sem desvendar qual a estratégia para um jogo onde apenas interessa vencer, Santos disse ontem que apesar de as opções iniciais serem suas, serão os jogadores que vão encontrar o “antídoto” para vencer: “Costumo dizer que os jogadores devem ser um pouco treinadores dentro do campo. Não para escolher a equipa, porque isso sou eu que faço. Em muitas situações, têm de definir o que é melhor, porque têm diferentes sensações do treinador, que está cá fora: se a bola corre ou se não corre. Se tiverem de pôr lá na frente, é isso que iremos fazer. Se pudermos jogar com a bola no relvado e tirar partido da criatividade, será isso que irá acontecer. Temos de encontrar o antídoto certo e não tenho dúvidas de que os meus jogadores saberão encontrar o melhor estilo de jogo.”

Sem querer socorrer-se de “contingências do futebol” – “Os jogadores [de Portugal] jogam a um altíssimo nível e já encontraram campos mais difíceis e mais frio” -, o seleccionador deixou, no entanto, um alerta sobre o Luxemburgo, que na Sérvia e nos dois jogos com a Ucrânia perderam pela margem mínima: “Irá jogar o jogo pelo jogo. É um adversário de qualidade, mas se fizermos o que temos que fazer e devemos fazer, vamos ganhar e alcançar o apuramento.”