Reportagem

A Beira Baixa desenha-se pela mão do Tejo e no colo das serras

Do Tejo de Vila Velha de Ródão às apalaches de Oleiros, sem esquecer a história e a criatividade de Castelo Branco. Não faltam argumentos para uma escapada à região raiana.

“Eu nasci no meio do rio”, diz, num sorriso rasgado de orgulho. António Pinto, 71 anos, sabe que é uma imagem bonita, esta de se nascer em pleno Tejo. Ainda que por um mês, confesse, não seja inteiramente verdade. António nasceu a 1 de Maio e a família só se mudava para o ilhéu que existia ali ao fundo, junto às árvores mais altas que despontam na outra margem, a 1 de Junho. Mas perdoamos-lhe a imprecisão. Foi nesta transumância estival que António viveu toda a infância, até as barragens de Fratel e de Cedillo, construídas no início dos anos 1970, domarem o Tejo. E é junto ao rio, no cais fluvial de Vila Velha de Ródão, que o encontramos a “passar o tempo” da reforma a colher minúsculos peixes. “A maior parte é para dar aí ao meu parceiro”, aponta ao gato Tejo, aos saltos sobre a cana para gáudio das fotografias. “Já comeu uns cinco.”