PJ detém cinco guardas prisionais por suspeita de tráfico de droga

Foram detidas nove pessoas. Reclusos e seus familiares integrariam rede que se dedicava há vários anos a traficar droga na cadeia de Paços de Ferreira.

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A Polícia Judiciária lançou esta terça-feira uma operação de “grande dimensão” de combate ao tráfico de droga Francisco Romao Pereira

A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou esta terça-feira uma rede, composta por guardas prisionais e reclusos, que se dedicaria há vários anos a traficar droga no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, uma cadeia de alta segurança. Num balanço desta megaoperação feito esta terça-feira à tarde, o director da PJ do Norte, Norberto Martins, precisou que foram detidas nove pessoas, cinco das quais guardas prisionais.

A investigação reuniu vários inquéritos que correm no Departamento de Investigação e Acção Penal de Porto Este - Penafiel, o principal dos quais aberto em 2017. Neste momento os casos têm mais de 30 arguidos, uma dezena dos quais reclusos envolvidos no tráfico de droga e outros tantos familiares e amigos destes que participariam igualmente no esquema. A cadeia de Paços de Ferreira albergava, no final do ano passado, 707 presos, apesar de ter uma lotação para apenas 548 pessoas. 

Norberto Martins destacou o papel dos cinco guardas prisionais, dois deles chefes (um deles reformou-se entretanto), que controlavam as rotinas de segurança da cadeia, o que facilitaria, que tanto os próprios como familiares ou amigos de reclusos, conseguissem introduzir droga na cadeia. O coordenador da investigação, Adelino Lima, precisou que alguns dos ilícitos em investigação já ocorreram há “meia dúzia de anos”. Além do tráfico de droga, estão em investigação crimes de corrupção e de recebimento indevido de vantagem.

Além dos guardas foi detido um ex-recluso, que já cumprira pena por tráfico de droga. Os restantes três detidos são familiares ou amigos de reclusos a quem foram detectadas armas ilegais durante as buscas. Os detidos vão ser presentes esta quarta-feira a um juiz de instrução do Tribunal do Marco de Canavezes, que irá determinar as medidas de coacção adequadas.

No âmbito da Operação Entre-Grades, foram realizadas 54 buscas: 31 em habitações, 20 em celas e três em espaços comerciais. Apesar das suspeitas se centrarem na cadeira de Paços de Ferreira houve buscas em mais cinco estabelecimentos prisionais (Porto, Santa Cruz do Bispo, Guimarães, Monsanto e Vale de Judeus) devido a transferência de reclusos e guardas já no decurso das investigações. Nas buscas foi apreendida cocaína e haxixe, em quantidade não contabilizada, além de 20 mil euros em dinheiro. Uma parte da verba e inúmeros telemóveis, equipamentos proibidos nas cadeias, foram encontrados no interior de celas.

O tráfico de droga seria altamente lucrativo tanto para reclusos como para guardas, alguns dos quais ostentariam sinais de riqueza. As dificuldades de introduzir a droga na cadeia inflacionaria os preços. Quando os reclusos não conseguiam pagar, era comum os traficantes extorquirem o dinheiro às suas famílias.

A operação envolveu 160 elementos da PJ e contou com a colaboração de 50 membros do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional da Direcção-Geral da Reinserção e Serviços Prisionais, uma entidade que colaborou activamente na investigação desde o início. As buscas realizadas no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira foram presididas por três magistrados do Ministério Público. 

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