Urgência do Garcia de Orta em “iminente colapso”. Médicos já fizeram o dobro das horas extras

Médicos de medicina interna e chefes de equipa da urgência geral alertam para “situação crítica”. Cada médico já fez, em média, mais de 300 horas extraordinárias. A lei prevê que sejam 150 por ano.

Hospital Garcia de Orta
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ftx Fabio Teixeira

Os médicos de medicina interna e chefes de equipa da urgência geral do Hospital Garcia de Orta, em Almada, alertam para a “situação crítica” que se vive naqueles serviços e pedem a intervenção da Ordem dos Médicos. O bastonário afirmou que cada um destes profissionais já fez, em média, mais de 300 horas extraordinárias, ou seja, o dobro do previsto na lei. E vai voltar a fazer uma visita ao hospital. Numa carta enviada ao conselho de administração refere “o iminente colapso” das urgências geral e pediátrica.

“A questão dos médicos de medicina interna é preocupante. Tive conhecimento, através da carta que me enviaram, que todos eles já fizeram mais de 300 horas extraordinárias, ou seja, já duplicaram o número de horas que têm de fazer. A situação é crítica e o hospital tem de tomar medidas com urgência”, afirmou o bastonário dos médicos, em conferência de imprensa.

Miguel Guimarães recebeu, na terça-feira, uma carta dos médicos de medicina interna e chefes de equipa da urgência geral do Garcia de Orta pedindo a intervenção da Ordem. O bastonário anunciou que vai “fazer uma visita ao hospital para falar pessoalmente com os médicos e com a administração”. Faz de novo o que já tinha feito a 24 de Setembro, na sequência da falta de médicos que já encerrou, por várias vezes, a urgência pediátrica.

O conselho de administração do Garcia de Orta, por seu lado, anunciou, para a tarde desta quinta-feira, uma conferência de imprensa sobre a urgência pediátrica.

Por causa da situação da urgência geral e da medicina interna, o bastonário enviou já esta quarta-feira uma carta para o presidente do conselho de administração. Na missiva, diz que os médicos se manifestaram “indignados perante a situação crítica que vivem nos respectivos serviços e que conduziu à apresentação de uma declaração de indisponibilidade para a prestação de mais horas extraordinárias no passado dia 24 de Outubro”.

Refere que para esta situação não será alheio o facto de os médicos já terem excedido em muito as horas extras que estão obrigados a fazer por lei, tal como “o encerramento temporário do serviço de urgência pediátrica por falta de recursos humanos” e a “alteração do circuito de doentes até aqui observados por cirurgia geral”. Os médicos dizem que se encontram “no limite da capacidade de resposta” e que está “altamente comprometida a segurança do doente e a qualidade do atendimento” à população.

Na carta, o bastonário pede à administração do hospital que identifique as soluções já desenvolvidas ou a desenvolver, “face à profunda preocupação que suscita esta tomada de posição dos especialistas de medicina interna, perante o evidente agravamento das carências já identificadas no passado recente e considerando o eminente colapso do serviço de urgência geral e pediátrico do Hospital Garcia de Orta”.

“Temos de garantir às pessoas o máximo de segurança clínica e ter uma atitude que faça activamente a prevenção dos eventos adversos graves. Para isso, temos de cumprir uma série de requisitos que existem para as equipas-tipo de serviço urgência, tempos de consulta e exames realizados”, afirmou Miguel Guimarães, salientando que na urgência “é absolutamente essencial” garantir o número mínimo de elementos das equipas.

“À medida que se vão diminuindo os números, a segurança clínica vai ficando diminuída. A probabilidade de erro aumenta e isto pode ter consequências muito complicadas”, alertou.