Opinião

O Governo e o secretariado-geral

É sintomático que Costa não tenha perdido tempo em explicar a orgânica e o modelo do novo Governo ou as novas formas de actuação preconizadas.

Um Governo com 19 ministros e 50 (cinquenta, tão por extenso como o número) secretários de Estado não podia deixar de suscitar perplexidade e, como é tradição em Portugal, o apetite pela piada fácil e a maledicência, agora amplificadas através das redes sociais. 19 ministros já parecem demais, pelo menos de um ponto de vista de concentração organizativa e eficácia operacional, mas 50 secretários de Estado – por vezes até com funções aparentemente sobrepostas ou conflituais – sugerem uma pequena multidão onde é fácil confundir as identidades e os papéis atribuídos a cada um. Como explicar, então, tal enigma ou originalidade histórica, sendo este o Governo mais numeroso desde 1976?