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Mais de um milhão de pessoas em Santiago na maior manifestação da era democrática

Marcha de sexta-feira na capital chilena decorreu de forma pacífica. Em Valparaíso, a polícia usou gás lacrimogéneo para impedir a entrada de manifestantes no Congresso.

Santiago ficou praticamente paralisada na sexta-feira por causa da grande manifestação contra o Governo chileno
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Santiago ficou praticamente paralisada na sexta-feira por causa da grande manifestação contra o Governo chileno Reuters/IVAN ALVARADO
Chile
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Vários símbolos juntam-se nestes protestos Pablo Sanhueza/REUTERS

Mais de um milhão de pessoas marcharam na capital chilena de Santiago na sexta-feira à tarde, em mais um episódio da onda de contestação ao Governo que na última semana se tornou num protesto generalizado contra a desigualdade no país.

Ao contrário do que aconteceu nos últimos dias, a grande manifestação de sexta-feira decorreu de forma pacífica, quase em ambiente festivo, segundo o El País. As estimativas apontam para 1,2 milhões de pessoas, naquela que foi a maior manifestação desde a redemocratização chilena, em 1990.

A acção de protesto juntou homens e mulheres, crianças, idosos e jovens, representantes das comunidades indígenas, que se concentraram na Praça Baquedano no centro de Santiago, cidade com sete milhões de habitantes. A coincidência da manifestação com um protesto organizado por motoristas de táxi e camionistas contra a cobrança de portagens deixou a capital chilena praticamente paralisada.

O Chile atravessa uma grave crise social que está a deixar o Governo conservador do Presidente Sebastián Piñera sem margem de manobra. Tudo começou como uma contestação ao aumento do preço do metro em Santiago, mas depressa se transformou num protesto amplo contra a desigualdade económica.

Apesar de ser um dos países mais prósperos da América do Sul, o desenvolvimento económico do Chile nas últimas décadas tem sido feito à custa de uma forte concentração da riqueza nas mãos de uma elite reduzida. As tentativas de Piñera, que tem prometido reformas sociais, não parecem dar sinais de aplacar o descontentamento dos chilenos.

Na manifestação de sexta-feira, os protestos incluíam uma enorme variedade de exigências, desagravos e, por vezes, apenas ressentimento face à desigualdade ou à classe política.

“O Chile é profundamente desigual e a comunidade LGBT sofre o dobro ou o triplo da discriminação”, disse ao El País Karen Atala, uma activista pelos direitos das minorias sexuais, durante a manifestação. “É preciso um novo pacto social que deve contemplar o direito de todas as pessoas”, acrescentou.

A manifestação de sexta-feira em Santiago era antecipada com muita expectativa também pelo carácter violento em que degeneraram os protestos da última semana, reprimido violentamente pelo exército. Durante vários dias, a capital foi palco de autênticas batalhas campais entre grupos de manifestantes, polícia e Exército, que não olhou a meios para pôr fim aos distúrbios. Pelo menos 19 pessoas morreram durante os confrontos e há mais de 500 feridos, bem como denúncias de violações de direitos humanos.

Porém, a marcha de sexta-feira decorreu de forma pacífica sem ter havido notícia de qualquer incidente. Os episódios de maior violência ocorreram em Valparaíso, quando um grupo de manifestantes tentou furar o cordão policial para invadir o Congresso. O edifício acabou por ser evacuado e a polícia recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.

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