A doença como metáfora

Um romance sobre a morte que nunca desliza para o sentimentalismo e para o cliché.

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Makkai explora os caminhos tortuosos da culpa e do julgamento social e moral que é exercido sobre as vítimas da sida Ulf Andersen/Getty Images

As tragédias colectivas têm repercussões ao longo do tempo e afectam comunidades inteiras que carregam, durante gerações marcas profundas e dolorosas. Acontece no caso das guerras, dos desastres naturais e das epidemias, tal como a que, nos anos 80 do século XX, se desencadeou através do vírus que deu origem à Sida e que serve de fio condutor do romance Os Otimistas da americana Rebecca Makkai. A autora não viveu esse tempo, mas sabe do que fala. Primeiro em São Francisco e depois por todos os EUA — e pelo mundo — pessoas começaram a morrer a uma velocidade assustadora, no seio das comunidades gay e afro-americana. Depois da licenciosidade feliz e exuberante dos anos 70, uma peste de contornos indefinidos devastou, como escreve Makkai, “prédios de apartamentos inteiros”, como se se tratasse de uma guerra. 

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