Opinião

Contra a indiferença, o optimismo da vontade

São cada vez mais numerosos os motivos que inspiram o pessimismo da razão, levando-nos mesmo a pensar que vivemos num mundo da pós-razão

Uma gralha numa entrevista que dei ao Expresso fez-me regressar a uma das minhas frases e princípios de vida favoritas. O seu autor é o intelectual e antigo dirigente comunista italiano António Gramsci (que, ironicamente, é hoje citado por certas personalidades de extrema-direita que disputam uma aura de sofisticação fora da sua área ideológica, como é o caso de Marion Maréchal, neta de Jean-Marie Le Pen). “Pessimismo da razão, optimismo da vontade” é a frase tal como Gramsci a enunciou – e o acidente da gralha, invertendo-lhe o sentido, permitiu-me repensar porque é que a escolhi como uma referência essencial mas, também, porque é que ela me parece mais actual e pertinente do que nunca.