Crónica

Benfica perde na Rússia e continua a zero na Champions

“Encarnados” derrotados pelo Zenit, em São Petersburgo, por 3-1 na segunda jornada do Grupo G.

Ruben Dias marcou um autogolo
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Ruben Dias marcou um autogolo Reuters/ANTON VAGANOV

A Europa continua a não querer nada com o Benfica. Os “encarnados” sofreram a sua segunda derrota em outros tantos jogos na fase de grupos da Liga dos Campeões, perdendo na Rússia, frente ao Zenit de São Petersburgo, por 3-1. Depois do desaire na jornada inaugural em casa com o RB Leipzig, este resultado deixa o Benfica ainda sem qualquer ponto e em último lugar do Grupo G, onde Lyon e Zenit partilham a liderança, com quatro pontos, seguidos do Leipzig, com três. Foi a pior estreia possível de Bruno Lage no banco dos “encarnados” em jogos da Champions (tinha estado na bancada por castigo), não só pela derrota, mas por o Benfica ter sofrido três golos pela primeira vez desde que assumiu o comando da equipa.

Este foi mais um jogo a juntar à triste contabilidade do Benfica na prova nas últimas épocas. Desde a época 17-18, os “encarnados” só ganharam duas vezes em 14 jogos na fase de grupos da liga milionária e, esta segunda derrota deixa as “águias” numa posição em que não queriam, a de jogar frente ao Lyon a continuidade na Champions, até porque o equilíbrio tem sido a nota dominante no agrupamento — os franceses venceram o Leipzig por 2-0 e serão os adversários do Benfica nas duas próximas jornadas, na Luz, a 23 de Outubro, e em França, a 5 de Novembro.

Só houve uma boa notícia para o Benfica no meio deste desastre europeu. Raúl de Tomás, avançado por quem os “encarnados” pagaram 20 milhões de euros, saltou do banco para se estrear a marcar golos em jogos oficiais, mas só aconteceu aos 85’, quando o marcador já indicava três golos marcados pelo adversário. De resto, foi um desastre total, sem chama colectiva, muitos erros individuais e até alguns equívocos na escolha do “onze”. Não foi uma derrota acidental, foi uma derrota que se foi consolidando ao longo do jogo, e que, de certa forma, já vem de trás neste primeiro terço de época — com algumas excepções, o Benfica não tem andado particularmente inspirado.

Desde os primeiros minutos que o Zenit correu sempre mais, foi mais rápido a pensar e a executar, ganhando quase na zona intermediária para lançar de imediato perigosos ataques. Se o Benfica ainda esteve perto de marcar aos 5’ numa bola parada — canto de Pizzi e cabeçada de Seferovic ao lado — a formação russa foi forçando nos duelos e, aos 22’, teve o prémio pela pressão constante. Fejsa perdeu um desses duelos para Ozdoev, com a bola a sobrar para Dzyuba fazer calmamente o 1-0.

O Benfica teve dificuldade em reagir porque o Zenit não abrandou e fez sempre por deixar os “encarnados” nervosos quando tinham a bola. A tendência do jogo transpirou para a segunda parte e a formação russa, por pouco, não fez o 2-0 logo aos 46’, mas Vlachodimos esteve bem a deter um remate de Azmoun. Lage esperou até à hora de jogo e fez duas mudanças de uma vez: tirou Fejsa e Pizzi, meteu Caio Lucas e Vinicius, dois homens de ataque.

O Benfica melhorou ligeiramente, mas voltou a ser vítima da sua apatia. Aos 70’, Barrios colocou uma bola em profundidade para Karavaev, o lateral russo ensaiou o cruzamento, mas, antes que chegasse a bola chegasse ao avançado, Ruben Dias desviou para a própria baliza. Ainda houve um compasso de espera para o VAR analisar o lance, mas não havia ilegalidade. Pouco depois, aos 79’, o Zenit voltou a marcar, num livre marcado de forma rápida. Aproveitando a apatia geral dos “encarnados”, Azmoun ultrapassou facilmente o desamparado Vlachodimos e fez o 3-0.

O melhor que o Benfica conseguiu fazer foi reduzir aos 85’, com um grande remate de Raúl de Tomás, que tinha acabado de entrar. Foi o primeiro golo oficial do avançado espanhol, aproveitando um disparate de Osório, defesa venezuelano emprestado pelo FC Porto, mas foi uma reacção curta para mais um desastre europeu.

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