Ricardo Toscano abre Festival Jazz nas Vilas em Almada

A segunda edição do Festival Jazz nas Vilas tem este ano no cartaz Ricardo Toscano, Elas e o Jazz e Ary, o Poeta das Canções. Nas noites de 20 a 22 de Setembro, no Solar dos Zagallos, com entrada livre.

Foto
Ricardo Toscano ANDREIA GOMES CARVALHO

Depois de um arranque em 2018, com duas noites de concertos, o Festival Jazz nas Vilas regressa em 2019 com um programa alargado, no tempo e nas ambições. O local mantém-se, tal como as condições de acesso: será de novo no Solar dos Zagallos, uma casa apalaçada do séc. XVIII recuperada para centro cultural, ao ar livre e com entrada gratuita, no limite dos lugares disponíveis (eram 180, deverão ser agora uns 220).

Mas se em Setembro de 2018 ali actuaram Daniela Melo e o projecto Kite (de Kiko Pereira), em duas noites consecutivas, este ano o festival abre com Ricardo Toscano, na noite de sexta-feira 20 de Setembro, prosseguindo sábado com o trio Elas e o Jazz e terminando domingo com o espectáculo Ary, o Poeta das Canções. Sempre às 21h30.

Pedro Matias, presidente da Junta de Freguesia de Charneca da Caparica e Sobreda, diz ao PÚBLICO que quis lançar este festival por gostar de jazz, e também “para dar um cunho cultural à freguesia”, que, afirma, “está a mudar sociologicamente”, com mais licenciados e um maior número de nascimentos. Mas a programação não se fica pelo jazz, estendendo-se às músicas de fusão que lhe estão próximas ou a ele aparentadas.

A actual edição, que envolveu também o empenhamento da Câmara de Almada, tem ainda por objectivo, diz Pedro Matias, tornar este festival, a prazo, “numa referência no distrito de Setúbal.” E a ambição cresceu, porque em 2018 ele já dizia um objectivo do festival era tornar-se referência no concelho de Almada. Agora, é do próprio distrito.

Três noites, três propostas

O saxofonista Ricardo Toscano, em quarteto, traz na bagagem o seu disco de estreia, lançado em 2018, que foi muito bem aceite pela crítica, escrevendo Gonçalo Frota no PÚBLICO que é “já um disco essencial para a História do jazz destas terras.” E de originais, como Toscano disse então: “Se lançasse um disco de standards ia ficar com a sensação de que estava a tentar provar qualquer coisa a alguém. Assim, sinto que é o início de um trilho, uma direcção, um som em que mesmo quando tocarmos um standard não vamos soar a quarteto de Nova Iorque no clube tal – vamos soar a nós.”

Elas e o Jazz, por sua vez, é um trio vocal constituído pelas cantoras Joana Machado, Mariana Norton e Marta Hugon (cantora que acaba de lançar mais um disco a solo, Coração na Boca). Com elas está um outro trio, de músicos, com José Pedro Coelho (piano), Romeu Tristão (contrabaixo) e André Sousa Machado (bateria). Antes dos concertos deste projecto anunciados para Outubro, na Casa da Música e no CCB, será uma oportunidade para ouvir, a três vozes, um lote de standards da história do jazz.

Por último, Ary O Poeta das Canções é um espectáculo criado pelo cantor e actor Joaquim Lourenço, com base no repertório das canções de Ary dos Santos, e que tem vindo a rodar por vários palcos desde há pouco mais de uma década. O repertório de Ary é, aqui, revisto na linha dos standards, com Joaquim Lourenço como crooner. “Peguei no Ary”, disse ele ao PÚBLICO em 2018, “porque tem uma obra ímpar e as suas canções são um repertório extraordinário, lírica, melódica e harmonicamente. Os compositores foram beber muito à canção francesa, especialmente o [Fernando] Tordo, e à grande tradição anglo-saxónica, mas também os crooners americanos.”