Crítica

O espaço circular da vida

Reunião de contos que marca o regresso de um dos autores mais singulares na poesia, dramaturgia e ficção portuguesas. Narrativas em que a estranheza é uma construção impecável.

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Jaime Rocha tem mantido uma coerência de temáticas e recursos NUNO FERREIRA SANTOS

Os mundos que Jaime Rocha cria na sua escrita existem independentemente (ou em grande liberdade) dos géneros literários praticados pelo autor. O que não quer dizer que se defenda a indiferença perante a expressão distinta da sua poesia, do teatro que tem escrito e da ficção que vem assinando. Propõe-se, sim, que, em diferentes modalidades, Jaime Rocha tem mantido uma invulgar coerência de temáticas, recursos, procuras que se diriam obsessões da sua arte. São algumas delas o mal, a loucura e a morte, o insólito e a reconfiguração do mundo natural através de formações animais e vegetais imaginárias, inviáveis, espectrais. Estamos, assim, perante uma obra que é como uma encruzilhada em que se encontrassem o fantástico e o realismo, o verosímil e o inconcebível. Tanto a poesia, quanto o teatro e a narrativa de Jaime Rocha têm partido de fundamentos que articulam estas variáveis de uma forma que torna a produção do autor um lugar especialmente demarcado.