Tempo de espera por óvulos diminui, mas continua superior a dois anos

Campanha fez aumentar doações, mas é ainda insuficiente. Número de casais na lista de espera do Banco Público de Gâmetas duplicou no último ano.

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Nuno Ferreira Santos

O tempo de espera por um óvulo no Banco Público de Gâmetas (BPG) diminuiu nos últimos seis meses, mas continua a ser superior a dois anos. As famílias que precisam de recorrer à procriação medicamente assistida têm de esperar 29 meses por um ovócito e 26 por espermatozóides. E o número de casais em lista de espera mais do que duplicou no último ano, segundo o Jornal de Notícias.

A lista de espera por um ovócito era de 33 meses em Março – ou seja, mais quatro do que actualmente –, quando a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR) lançou uma campanha em que alertava para a importância e a urgência da doação de óvulos e espermatozóides, de modo a responder à crescente procura de tratamentos de infertilidade.

Desde então, “houve um aumento do número de doações”, garante ao PÚBLICO o presidente da SPMR, Pedro Xavier. “Tivemos esse eco quer dos centros públicos, quer das clínicas privadas”. Mas continuam a persistir dificuldades, nomeadamente o fim do anonimato nas dádivas que, apesar de “não ter afastado a doações de mulheres”, tem provocado entraves à disponibilidade de homens, explica o mesmo responsável.

O número de casais em lista de espera no BPG mais do que duplicou no último ano, segundo conta o Jornal de Notícias na edição desta quarta-feira. No final do primeiro semestre deste ano, havia 769 pedidos de casais que precisam de ovócitos e espermatozóides, um aumento de 128% face a igual período do ano passado, de acordo com aquele jornal. O PÚBLICO tentou confirmar estes números junto do Ministério da Saúde, mas, até ao momento, ainda não obteve respostas.

O BPG funciona no Porto, havendo outros dois centros de recolha principais no país, nos hospitais da Universidade de Coimbra e na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa. É o centro situado no Norte que gere a distribuição das recolhas feitas nos outros pontos do país.

Os maiores problemas concentram-se em Lisboa uma vez que, de acordo com a SPMR, os serviços de recolha de gâmetas na MAC não estavam a funcionar “pelo menos até Junho”. O PÚBLICO questionou o Ministério da Saúde sobre esta situação, mas ainda não obteve uma resposta até ao momento.

“É um problema de recursos humanos”, garante Pedro Xavier, da SPMR, que foi alertada para a situação por várias mulheres que, na sequência da campanha lançada em Março, se dirigiram à MAC e se deparam com a incapacidade dos serviços para fazer a recolha de ovócitos. “Se em Lisboa, onde se concentra uma grande parte da população, não estão a ser feitas recolhas, o número de doações será sempre menos do que o necessário”, explica.