Circ estreia em Portugal aluguer de trotinetes à hora ou por um dia

Empresa considera que é necessário criar melhores condições, como ciclovias, para que mais pessoas usem estes veículos.

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Um dos objectivos é permitir aos utilizadores usar as trotinetas a um preço acessível e de forma ilimitada Reuters/KAI PFAFFENBACH

A Circ, uma empresa de trotinetas eléctricas partilhadas que opera em várias cidades portugueses, está a disponibilizar um novo método de aluguer destes veículos: pacotes de horas pré-pagos, a valores mais baixos do que o actual preço por minuto. Esta alternativa está a ser testada em Portugal mas será, em breve, disponibilizada aos restantes mercados internacionais onde está presente, explicou a empresa.

Até agora, as várias empresas de partilha de trotinetas eléctricas em Portugal fornecem o serviço a partir do pagamento de um preço fixo de um euro (ou 0,50 euros se se estaciona de forma correcta) para desbloquear o veículo, acrescidos de 15 ou mais cêntimos por minuto de utilização. A adesão a este tipo de mobilidade tem sido crescente - o que explica também a sua expansão a várias cidades - mas a Circ entende que há algum potencial por explorar, neste negócio, para além do designado serviço do último quilómetro, para distâncias mais curtas, em que os preços praticados são concorrências com outros modos de transporte. 

A Circ - antiga Flash - passa, assim, a apresentar três opções: por seis euros, um utilizador pode andar de bicicleta durante uma hora; por duas horas paga 10 euros e por 24 horas paga 25 euros. A diferença entre o preço assim tabelado e o custo de usar uma trotineta durante uma ou duas horas, no tarifário actual (nove e 18 euros, respectivamente), salta à vista. A empresa, pela voz do seu relações públicas João Reis, revelou que um dos objectivos é “permitir aos utilizadores usarem sem limites as trotinetas, por um preço acessível”.

Para comprar um pack de horas, basta ir à app da Circ. Segundo João Reis, esta inovação, “que permite uma maior liberdade para quem se quer deslocar neste meio de transporte”, é uma consequência “do feedback dos utilizadores”, que levou a empresa “a criar novas opções em função do perfil do cliente em Portugal”. A empresa crê que “estas novidades podem convencer ainda mais pessoas em Portugal a optar por trotinetas eléctricas como meio de transporte”. Contudo, João Reis disse ser “necessário criar cada vez mais e melhores condições, como ciclovias, para facilitar modos de transportes mais sustentáveis como as trotinetas”.

Questionado sobre o perfil etário das pessoas que usam as trotinetas Circ, o responsável declarou que, embora o público seja “muito abrangente”, “há mais utilizadores entre os 20 e os 40 anos”. Este responsável explica ainda que apesar de haver “muitos turistas a usar trotinetas, a maioria dos utilizadores são portugueses”.

Presente em Faro, Portimão, Lisboa, Cascais, Almada, Figueira da Foz e Coimbra e, no Norte, em Matosinhos, Maia, Gondomar e Vila Nova de Gaia, a Circ pretende alargar-se, em breve, a toda a área metropolitana do Porto. Nesta região, a cidade do Porto, o mercado mais apetecível para este sector, ainda não permitiu a entrada de nenhum operador, e está, primeiro, a preparar um regulamento que a poupe aos problemas que esta nova forma de mobilidade gerou em Lisboa, cuja Polícia Municipal cobrou 17.145 euros em coimas por veículos deste tipo mal estacionados, entre Fevereiro e o início de Junho.

O regulamento que está agora em vigor na capital, e que se prolonga até 2021, prevê a proibição do estacionamento destes veículos nos passeios e locais destinados ao trânsito de peões, que impedem uma circulação segura. Já a Câmara do Porto, que tem uma proposta de regulamento para trotinetas e bicicletas partilhadas disponível para consulta pública, prevê que só se possa usar estes equipamentos até às 22 horas. As licenças são emitidas por um período de cinco anos e, contrariamente a outras cidades portuguesas onde os serviços de partilha já operam, no Porto as licenças serão pagas.

Em Braga, seguindo esta linha de pensamento, e para impedir a circulação das trotinetas nas áreas pedonais, a autarquia transformou as ruas correspondentes em zonas vermelhas, através de uma tecnologia de referenciação. Desta forma, quando o veículo chega a esses locais, as rodas bloqueiam.