Críticos vão ao conselho nacional questionar escolhas de Rio para listas de deputados

Presidente da distrital de Setúbal afirma que “o ambiente no PSD está de cortar à faca”.

Rui Rio está debaixo de fogo pro causa das listas de deputados
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Rui Rio está debaixo de fogo por causa das listas de deputados Nuno Ferreira Santos

Alguns dos principais rostos anti-Rio vão esta terça-feira ao conselho nacional questionar o presidente do PSD sobre os critérios que estiveram na origem das escolhas que fez para as listas de deputados.

Os deputados Bruno Vitorino (Setúbal) e Hugo Soares (Braga) estão fora das listas. Bruno Vitorino por se ter ele próprio excluído da lista em protesto, já Hugo Soares, ex-líder da bancada parlamentar, foi vetado por Rui Rio. O PÚBLICO contactou Maria Luís Albuquerque, que também foi excluída da lista por decisão de Rio, mas sem sucesso. A ex-ministra das Finanças de Passos Coelho e Hugo Soares ainda não se pronunciaram sobre as escolhas do líder do PSD.

“O ambiente no PSD está de cortar à faca e que quero saber o que é que o presidente do partido ganha com a estratégia de afastar as estruturas do processo”, declarou ao PÚBLICO Bruno Vitorino, que também é líder da distrital de Setúbal. “Rui Rio está a esfrangalhar o partido em alguns distritos e essa é uma das questões que lhe quero colocar no conselho nacional”, adianta o dirigente que foi indicado para a lista, tal como Maria Luís Albuquerque, pela distrital.

Bruno Vitorino disponibilizou-se para ir num lugar simbólico, como último suplente por Setúbal, desde que Maria Luís Albuquerque fosse na lista, mas a direcção nacional não aceitou e, por essa razão, conta o deputado, ele não estará na lista encabeçada por Nuno Carvalho, vereador da Câmara de Setúbal. Fernando Negrão, que substituiu Hugo Soares na liderança da bancada, surge em número dois.

Em declarações ao PÚBLICO, Bruno Vitorino queixa-se de o partido ter “ostracizado” as distritais no processo das listas. “O ambiente está de cortar à faca com ameaças de demissões, de desfiliações e de não fazerem campanha para as legislativas”, revela o deputado, acrescentando: “Fomos completamente afastados das listas de uma forma miserável”. “O partido está um caos e o cabeça de lista e o número dois que fizeram a lista de Setúbal serão também responsáveis pelo resultado eleitoral no distrito”, avisa.

Hugo Soares, antigo líder parlamentar e actual presidente da concelhia social-democrata de Braga, vai esta terça-feira a Guimarães, mas não antecipa o que vai dizer no conselho nacional, que vai votar de braço no ar todas as listas de deputados. Já Maria Luís Albuquerque não deve marcar presença no conselho nacional, o primeiro que decorre depois da derrota do partido nas eleições europeias de 26 de Maio.

O ambiente no partido é de muita contestação, mesmo no Porto, distrito pelo qual Rui Rio concorre, como número dois na lista. “Falta de representatividade do distrito"; “não há critério nenhum nas escolhas feitas pela direcção nacional”: estas são algumas das críticas que se ouvem mesmo àqueles que são fiéis apoiantes de Rio. “Dos primeiros 13 que constam da lista, sete são indicações nacionais. Se a esses se juntar a Juventude Social-Democrata, os Trabalhadores Sociais-Democratas e a distrital do Porto, restam três para as secções do distrito: Porto, Gaia e Trofa”, insurge-se fonte do partido.

Hugo Carvalho é o cabeça de lista, seguindo-se Rui Rio, Catarina Rocha Ferreira, Alberto Machado, Cancela Moura, Germana Rocha, Afonso Oliveira, Álvaro Almeida, Sofia Matos, Alberto Jorge Fonseca, Paulo Rios, Carla Barros e Hugo Carneiro. O décimo quarto lugar foi reservado à concelhia do Porto, mas ao que foi possível apurar, Hugo Neto, que lidera esta estrutura, terá rejeitado. Hugo Neto não fala sobre o assunto.

Contas fazem-se no fim

Há muitas distritais zangadas com Rio por causa das escolhas do líder. No entanto, o mal-estar não vai comprometer o conselho nacional desta terça-feira. O secretário-geral e o secretário-geral adjunto já fizeram as contas para que as listas tenham aprovação garantida, tendo estabelecido os compromissos necessários.

Virada a página das listas, o partido terá de pôr a máquina a funcionar em modo de eleições, mas há distritais com vontade de não fazer campanha. Contudo, o país político está prestes a ir a banhos e o mais certo é que a factura só seja apresentada a Rui Rio na noite eleitoral.

Em Lisboa também há muito descontentamento. Fontes do PSD avançaram esta segunda-feira à Renascença que os militantes estão em choque com a possibilidade de Rodrigo Gonçalves vir a integrar as listas do partido às eleições legislativas de Outubro. Rodrigo Gonçalves foi condenado em 2015 por ter agredido, a murro e pontapé, um companheiro do PSD à data presidente da junta de freguesia de Benfica, Domingos Pires, de 71 anos.

Com Rui Rio na presidência do partido, o militante foi convidado para trabalhar na sede nacional a fazer a gestão das redes sociais do partido. Acabaria por demitir-se em Abril, depois de o Diário de Notícias ter noticiado que recorria a perfis falsos para publicar notícias contra o actual Governo do PS.

A lista de Lisboa que no final da semana passada estava praticamente fechada tem sofrido algumas alterações, tendo a apresentação prevista apenas para esta terça-feira. Foram necessários ajustes para garantir um lugar elegível a Duarte Pacheco, secretário da mesa do Parlamento, que pertence à distrital da área Oeste. Ao mesmo tempo, tem havido pressões para que o deputado Marques Guedes, que já esteve colocado na quinta posição, venha a ocupar um lugar digno de um ex-ministro.