Terminal rodoviário do Campo Grande vai ser reestruturado

Vão avançar obras para a construção de um prédio no local hoje ocupado pelo terminal rodoviário, que será deslocalizado para uns terrenos devolutos, ali ao lado, antes ocupados por um parque de estacionamento. Operadores pedem melhores condições quer para os passageiros, quer para os motoristas.

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Andreia Carvalho

O terminal rodoviário do Campo Grande, em Lisboa, vai ser reestruturado devido à construção de um prédio na área hoje ocupada pelos autocarros. O novo interface será construído num terreno junto à Segunda Circular.

Este novo edifício, destinado a comércio e serviços, terá nove pisos, mais três subterrâneos — que serão para estacionamento público —, e terá uma “composição arquitectónica idêntica ao edifício da parcela sul”, hoje ocupado pela sede da empresa de telecomunicações NOS. Por causa disso, o interface do Campo Grande, será reorganizado, aproveitando um terreno que há uns anos servia de parque de estacionamento, e onde foi construída uma nova ligação da Segunda Circular à Avenida Padre Cruz. 

No interface de transportes do Campo Grande é possível fazer a ligação entre o metro de Lisboa e os autocarros da Carris e de mais nove operadoras que circulam para os municípios de Odivelas, Loures, Mafra, Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço, assim como toda a região Oeste. Ao PÚBLICO, o gabinete do vereador da Mobilidade da câmara de Lisboa explica que “haverá uma mudança dos cais de acostagem e uma melhor organização do espaço, a poente, em área próxima à que o terminal hoje ocupa”.

A autarquia não se compromete, para já, com uma data, mas segundo disse ao PÚBLICO Orlando Ferreira, administrador da Rodoviária do Tejo, empresa que engloba a Rodoviária do Oeste, os operadores foram informados há cerca de dois meses pela câmara de Lisboa de que teriam de abandonar o espaço de tomada de passageiros que hoje ocupam e que a mudança está prevista já para o mês de Setembro.

“Estamos situados na Rua Actor António Silva e fomos confrontados com o facto de termos de sair dali e de que aquele espaço ficaria para a Carris. E que todos os operadores vão lá para o fundo para um novo espaço”, disse o responsável. 

Orlando Ferreira alerta para o facto de, num momento em que há um incentivo à procura — nomeadamente com a introdução do passe Navegante Metropolitano —, o novo terminal ficar localizado num espaço com menor área, temendo que surjam “implicações ao nível da fluidez de trânsito”, assim como nas condições que serão criadas para conforto de passageiros e motoristas. A câmara garante, por seu turno, que “o número de cais de acostagem para tomada e largada de passageiros não será reduzido” e que “todas as condições de segurança estão a ser devidamente acauteladas. A intervenção irá melhorar as condições do espaço”, referiu fonte do gabinete do vereador Miguel Gaspar. 

PÚBLICO -
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Nos terrenos do actual terminal vai nascer um prédio semelhante ao da NOS Andreia Carvalho

Espaço muito abandonado

Em Maio de 2017, o vereador do Urbanismo tinha dito à agência Lusa que seria o promotor a avançar com a obra no terminal uma vez que é “uma contrapartida”. O assunto foi discutido na reunião privada do executivo de quinta-feira, uma vez que foi apresentada uma proposta, subscrita pelo vereador Manuel Salgado, para a aprovação condicionada do projecto de arquitectura do edifício norte do complexo de serviços do Interface do Campo Grande, ou seja, do novo edifício a construir. No texto da proposta, que foi aprovada por maioria com os votos contra do BE e do PCP e com a abstenção do CDS e PSD, está expressa a “obrigação da Multi 39 executar um novo Terminal de Transportes Rodoviário (TTR)​”. 

Para o responsável da Rodoviária do Tejo, o terminal precisa de “ser dignificado” porque hoje “está muito abandonado”. “Esperamos que seja uma oportunidade para requalificar o espaço. Esperamos que seja um espaço mais humanizado, com mais dignidade para quem chega”, referiu. Mas lembrou também que o espaço hoje existente não tem condições para os próprios motoristas. Falta, por exemplo, um espaço onde possam almoçar, pelo que muitas vezes acabam por fazê-lo dentro do autocarro. Ainda em resposta a questões do PÚBLICO, a autarquia refere que o novo projecto “pretende também melhorar o conforto dos utilizadores e dos trabalhadores” e que “está disponível para avaliar medidas de melhoria dessas condições em conjunto com os operadores de transporte que utilizam aquele espaço”.

“Tem que sair daqui uma boa solução. Pode ser que seja uma melhor solução ainda”, diz Orlando Ferreira. “O terminal não pode ser um ponto morto, não requalificado, entre dois destinos.”