Crítica

Decomposição de uma família

Petra confirma Jaime Rosales como um dos realizadores espanhóis da actualidade que vale a pena seguir com atenção.

<i>Petra</i>, que se candidata a uma residência em casa de um escultor por suspeitar que ele é o pai biológico
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Petra, que se candidata a uma residência em casa de um escultor por suspeitar que ele é o pai biológico

Há uma personagem chamada Petra (a protagonista feminina), mas a escolha do nome, puxado a título do filme, não tem nada de inocente: Petra, do catalão Jaime Rosales, convida-nos a entrar num universo petrificado, no sentido próprio da expressão (o ogre-maior do filme é um escultor) e em todos os sentidos figurados que a expressão permite (incluindo, claro, a história de corações empedernidos). Com a sua progressão narrativa, cheia de revelações sobre pais e filhos que afinal não são nem pais nem filhos uns dos outros, e o rasto de cadáveres que vai deixando, também não estamos longe — o próprio título, nas suas ressonâncias linguísticas, o sugere — de uma atmosfera de tragédia clássica, entre os gregos e Shakespeare, embora razoavelmente mais lacónica, jogada ao sol da Catalunha.