André Ventura escolhe militar da GNR condenado para encabeçar lista do Chega pelo Porto

O líder do Chega diz que só vai desistir quando a terceira República acabar.

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NUNO FERREIRA SANTOS
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Sem vozes a destoar, a primeira convenção do Chega resultou numa votação praticamente unânime em torno de André Ventura. Com apenas uma lista apresentada a sufrágio neste domingo, pouco mais de uma centena de delegados deram 94% dos votos favoráveis​ às escolhas do professor e comentador televisivo.

Num auditório em Algés repleto de recém-convertidos à mensagem política do Chega, Ventura garantiu que “não haverá alianças nem coligações ao centro” porque, diz, o partido “vale por si próprio”. Os militantes do Chega, que vêm essencialmente de partidos da direita tradicional, enquadram-se agora num partido “conservador nos costumes, liberal na economia, nacional na identidade e personalista”.

Virada está a página das eleições europeias, nas quais, em coligação com o PPM e o PPV, André Ventura chegou perto dos 50 mil votos (1,49%), mas não elegeu qualquer eurodeputado. 

Das listas para as legislativas ainda pouco se sabe. Ventura será o primeiro por Lisboa e, a repetir-se o resultado das europeias, poderá ser eleito. Para o distrito do Porto a escolha é mais polémica: a lista será encabeçada pelo militar da GNR Hugo Ernano que matou a tiro um jovem de 13 anos durante uma perseguição policial, em 2008.

Após o pedido de recurso, Hugo Ernano foi condenado, em Junho de 2014, a quatro anos de pena suspensa e a pagar uma indemnização de 55 mil euros. Na internet surgiu então uma petição com mais de 100 mil assinaturas para pedir à absolvição do militar. 

No primeiro discurso como líder eleito do Chega, André Ventura disse “acreditar no homem e nos valores” de Hugo Ernano, e assumiu que “não cede ao politicamente correcto”.

As críticas a Marcelo

O momento mais aplaudido na sala foi quando Ventura, após anunciar que o Chega iria ter um candidato próprio às próximas eleições presidenciais, enumerou críticas ao actual Presidente da República.

“Não é que não goste de pessoas que nadam no rio, nem temos nada contra quem liga para o Programa da Cristina”, começou por dizer, referindo-se a Marcelo. Mas logo a seguir garantiu nunca apoiar “aqueles que, em vez de estarem ao lado da esquadra da polícia, estão a tirar selfies com criminosos”, numa referência à visita do Presidente da República ao bairro da Jamaica, no Seixal.

O discurso de André Ventura foi de crítica em todas as direcções: ao excesso de carga fiscal, porque “hoje os escravos somos nós”; ao sistema, porque “é corrupto e decrépito”; à burocracia, que nos acompanha “até na morte”; ou à política de integração dos imigrantes, apesar de garantir que não existia “ponta de xenofobia” na sala onde discursava.

Acabar com a III República

O líder do Chega apostou nos slogans que já enchem cartazes na rua, garantindo que o “objectivo é resistir" e eleger deputados à Assembleia da República. O primeiro combate é “contra a abstenção” e a primeira promessa é proibir os condenados por corrupção de terem cargos públicos. Em tom de ironia, que ia pautando o discurso, afirmou que, na sala, “haviam de estar todos reformados antes de Sócrates ir preso” - nas primeiras filas, a idade média da plateia era já relativamente elevada. Reafirmou ainda que defende a existência de menos deputados, abaixo do mínimo constitucional de 180 parlamentares. “Prefiro perder o meu lugar a mudar a minha convicção”.

Para os delegados à primeira convenção do Chega ficou a promessa de um encontro com o espanhol VOX neste mês de Julho - um partido “com coerência de valores”

Ventura sonha também que em meia dezena de anos “o Chega se torne uma referência” lá fora, esperando por isso deixar de ser chamado de “Trump de Loures” ou “Bolsoluso”, que rejeita por “não fazer vídeos em casa de calções” e por não preferir “um filho morto a um filho homossexual”.

Num momento para a fotografia, o discurso acabou com Ventura de mão no peito a cantar o hino nacional. Seguiu-se "música épica”, que havia tocado toda a manhã em loop, digna de um qualquer episódio de Guerra dos Tronos. Ventura disse-se “pronto para a luta” pelo seu lugar no Parlamento e assumiu que só vai desistir quando a terceira República (que se iniciou com a Revolução de Abril de 1974) acabar. Para esse objectivo, garante, tem um “enorme apoio das pessoas face a um sistema que as ignorou”.

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