Crítica

SMS: se as musas salvassem

O mais novo dos nossos poetas menos novos. Nada podia ser mais literal do que afirmar isso mesmo: este é um livro novo de Alberto Pimenta.

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A poesia como um contínuo fluido, impossível de capturar — quanto mais domesticar... MPS

Já Quintiliano notava que há palavras, não só acções, que provocam o riso — ou funcionam como instrumentos de um derrisão mais ampla. Poderíamos dizer que o título do mais recente livro de Alberto Pimenta (AP) encarna esse princípio. O verbo “zombar”, nele utilizado, produz uma sonoridade que, a um tempo, provoca estranheza, sugere riso e motiva um alerta. Circunstâncias que a capa de Zombo exploram. Os tipos usados e um efeito de espelhamento e inversão permitem, rodando o livro num ângulo de 180 graus, ler o título sem quase o desfigurar. Qualquer coisa que nos deve, desde logo, deixar em estado de alerta e questionação — de resto, assim é em toda a actividade de escrita do poeta e ensaísta. O que se pretenderá com este livro? O que irão as suas palavras fazer?