Profissionais de saúde vão ter “botão de pânico” para prevenir violência

A violência contra os profissionais de saúde é considerada um problema emergente para a Organização Mundial de Saúde, sendo uma realidade não apenas em Portugal, mas em todo o mundo.

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Nelson Garrido/ Arquivo

Os médicos e enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) vão passar a ter um botão de pânico para accionarem quando sentirem que a sua segurança está posta em causa devido a comportamentos de utentes.

Segundo a notícia do Jornal de Notícias (JN) deste sábado, a medida já está a ser posta em prática em três unidades de saúde do concelho da Amadora, sendo elas a ACES Amadora - Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados da Brandoa e Unidade de Saúde Familiar Amato Lusitano e o Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra).

O projecto-piloto será monitorizado durante um período de seis meses a um ano naquelas unidades de saúde para depois ser alargado ao resto do país. 

Estas medidas já tinham sido anunciadas pelo Ministério da Saúde no final de Maio. Em parceria com as Finanças, o ministério desenvolveu um projecto para combater a violência contra os profissionais de saúde.

Nas unidades escolhidas foram identificados profissionais capazes de mobilizar pessoas (isto é, gestores de projecto) que fizeram um diagnóstico à situação e trabalharam com os profissionais de saúde para encontrar soluções inovadoras para o problema. O grupo de participantes abrangeu, entre outros, profissionais que já experienciaram directa ou indirectamente o problema. 

Entre as soluções propostas contam-se acções de proximidade com a comunidade, formação, alterações na sinalética, alterações de equipamentos e nos edifícios, “botões de pânico” ou campanhas de informação.

No fim do mês de Maio, num comunicado do Ministério da Saúde Raquel Duarte, secretária de Estado da Saúde, afirmava que a violência contra os profissionais de saúde era um dos problemas que mais preocupava a tutela. “O Sistema de Incentivos à Inovação na Gestão Pública (SIIGeP)​ foi criado pelo Governo no final do 1.º semestre de 2018 com o objectivo de estimular práticas inovadoras na gestão pública nos domínios da valorização dos recursos humanos, no desenvolvimento de modelos de gestão ou da melhoria dos ambientes de trabalho, onde o presente projecto se enquadra”.

De facto, tal como noticiou o PÚBLICO, a violência contra profissionais de saúde no local de trabalho tem cada vez mais visibilidade e expressão, de acordo com os dados das notificações que chegam à Direcção-Geral da Saúde (DGS). Os números reportados de episódios de violência (desde assédio moral a insultos e ameaças e até agressões físicas) indicam que o problema se está a agravar ou, pelo menos, que os profissionais se estão a queixar mais. Só nos primeiros seis meses deste ano, as notificações ascenderam a mais de quatro centenas, quando em 2017 o sistema online da DGS registou um total de 678 casos.